Trapobana

Segunda-feira, Fevereiro 28

(Acotaçom: Cursiva)

< Vou-te escrever em cursiva. Fareime assim a ilusom de que estou a trabalhar coa caneta, e que o sol de tarde que reflicte na pantalha cai na realidade sobre um caderno antigo, papel amarelecido, anaco de fólio velho onde nom podo evitar escrever e escrever-te. Em cursiva por me fazer a ilusom, nestes traços mais humanos, sentir nestas curvas o arrecendo desses intres de escrita manual, o pesso dumha história começada no Renacemento, letra itálica, Aldo Manuzio, aforrar espaço nos livros pequenos de papel grosso que haviam levar os suspiros pola
Beatrice às maos do mundo tudo, e o Decamerom, e ainda Mil e umha Noites e as obras perdidas.
Escrevo mais a modo, sim. As palavras percorrem-se no ritmo da ponta da esferográfica. Pouso mais nelas e é assim que ficam inclinadas, que se demoram e enredam e debuxam cousas que nom estavam. É em cursiva Trapobana, as anotações à margem dos mapas, os poemas todos, as dedicatórias dos livros todos do mundo. Em cursiva deves ler-me se escrevo de ti.
>
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Domingo, Fevereiro 27

Migalhas

Vai frio e eu prendo o computador e abro o messenger e descarrego o correio e reviso as contas todas na busca de letras amigas, de saúdos de pessoas distantes, de migalhas de estima, de ciberapertas em fim. Abro estes poucos comments com mais ilusom da habitual, visito as bitácoras amigas cum certo anceio. Poida que seja mais agudo quando me sento aqui diante, mas em geral (e para além do bom tempo que passo contigo), estou a achar de menos nos últimos tempos certos calores que venhem nas conversas, nas lembranças compartidas com cervejas, do arrecendo dos bares, em ceias tumultuosas. E também em certos livros, poemas, discos que nom sei bem onde deixei. Por outra banda estranha, dá-me gana de retomar a casa e a fazer um bocado habitável, de organizar os livros, ponher-me a estudar, voltar a algum jeito de rego. Até de cozinhar com calma, coma sábado à noite, bebendo umha Estrelha e cantando o Gilberto.
Será apenas que vai frio. Ou que vejo a primavera da outra banda do gelo, e essa certa inquedança aparece também na paisagem.
posted by São Tomé 23:47

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Sexta-feira, Fevereiro 25

E foi

Acertei nas minhas previsões, e, finalmente, há ser Bertinha. :-) Parabéns aos papais de novo.
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Trilhos Urbanos

Subo a costa no frio a assuviar Trilhos Urbanos e penso (como se fosse a primeira vez e nom o tivesse formulado do mesmo jeito há apenas dous dias pola noite) que se me botou o inverno enriba do assuvio e que levo bem de tempo sem sair da casa com estas cantigas inconscientes nos beiços.
Desta volta é Trilhos Urbanos, veu do sono e dos sonhos e ficou-me enriba, melodia de pausa, aperta sonora, sensaçom de que afinal ficam ainda os velhos caminhos.
De cada volta um anaco diferente da letra adquire nova significaçom especial. E se por vezes tem sido essa sensaçom de que o meu trabalho é te traduzir, outras vezes é esse como eu sei lembrar de você ou o gosto muito raro que trago em mim por ti. Desta volta é um bocado tudo, e esse simples falar dos recantos dumha cidade que nom conheço mas que já se fam famíliares na voz do Caetano.
E agora que escrevo, gostava de pensar que vem também a sensaçom de que nom te perdi, embora vaiam passando os anos.
posted by São Tomé 00:12

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Quinta-feira, Fevereiro 24

Um bocado de lume



Nom acontece nada, para além da inquendança mínima que me pode achegar a Lua.
De qualquer jeito hei agradecer que me achegues um bocado de luz na história que me has contar enquanto bebemos porto. Num jeito de chaminé, quero demorar nas horas a meia luz, olhar mapas antigos, falar a modo e esvarar cara abaixo, fóra de alertas e de andar pendente e na ponta dos pés, conjurar a cheia que arredor lança sinais de como se pode complicar a vida por diversas beiras.
Quiçais tenda à ceia. Poida que opte polo cinema. Quiçais me retire em cerveja e companha pequena.
Anotada fica a petiçom do corpo, embora sei que nom há ser aperta e calma como solicita a pele.
Fago por paliar nom exactamente a tua ausência mas bom, nesta altura, haverá que reconhecer que sim tenhem estes intres um bocado de ti e do espir-te de vagar deixando em suspenso
os límites do jogo.

posted by São Tomé 00:23

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Quarta-feira, Fevereiro 23

A mim que nom me perguntem

Para navigantes avezados, aviso de que chega a Lua Cheia. Nom me perguntem causa nem se me justifiquem com este argumento, quando fum mirar a data no web, por algo seria... Nom se me tome muito em conta também, que eu já nom fago muito caso. Que seja leve.
posted by São Tomé 02:03

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Terça-feira, Fevereiro 22

A rolar

E, asegum a gorja vai voltando ao seu lugar, ou indepentemente dela, a vida vai colhendo velocidade e inércia, e já ando cum par de fólios no peto nos que aponto cousas pendentes. Ana, umha vaca, escrever-lhe à Tareija, mercar amaciador, pagar um novo praço da matrícula de tai chi, colher-lhe o livro a Joám e ainda os textos que tenho pendentes de escrever, e gente a quem chamar, e umha ou duas juntanças para a fim de semana (sei lá), e passar pola biblioteca e começar por fim a estudar de novo, e lembrar-me de mercar o Baudolino nessa livraria onde o tinham de oferta, e de quando em perguntar-me quê passa polas ilhas e pedir-lhe à Bloomfield que me conte algo, que nom sei como vai o frio. Estám também nos fólios estes os resumos de juntanças passadas, as anotações e os debuxos que fago enquanto escuito, e projectos cheios de ilusom, e olha lá que de novo o mundo vai parecendo grande e de novo mido o espaço que podo abranguer cos braços e, coma sempre, dá-me a impresom de que nom é abondo, de que nom vou dar feito, e aginha penso que nom tem mal, que as cousas venhem aos poucos, e que se distribuo um bocado, hemos poder, e vai-se-me quitando o susto, que nom de tudo.
posted by São Tomé 00:18

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Domingo, Fevereiro 20

Mais sonhos



Canda aos livros e mais os filmes, a vida continua inzada de sonhos. Tu que voltas e nom me avisas. Velhos carreiros por tras das paredes do colégio onde passava os recreios. Estranhas aventuras. Durmo a prazer, e cada espertar é um passo de transiçom cara a estoutra realidade que mitigo nos últimos tempos a base de histórias enquanto agardo a que passem os últimos síntomas também de estranheza e de frio. Ou serám acaso as histórias as que sementam a noite de sonhos.
Afinal o caso é que tampouco a realidade é tanta realidade, que nom fago mais do que me mergulhar em metáforas de vidas das que nom extraio conclusom nengumha, e olha lá que ainda me esforço um bocado enquanto leio ou olho, mas aginha esqueço e continuo a ler e a olhar intensamente, como se na realidade buscasse algum tipo de revelaçom. E isso que sei perfeitamente que nom fago mais do que acumular um chao confuso do que ham agromar, quando lhes pete e pause um bocado mais a vida, ou ande eu a olhar para outra banda, pequenos jeitos diferentes e olhar as cousas. Pulo enfim o prisma da cámara a base de contos. Também o fago por te tirar melhores fotos, linda.
posted by São Tomé 23:29

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Sexta-feira, Fevereiro 18

Wally-Jocas



A prova do dito. Está na foto, o que o reconheça, que avise. ;-)
posted by São Tomé 02:37

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Mudar os sonhos



A verdade é que nos últimos dias, canda os sonhos de serpes, vinhérom certas alterações do ritmo onírico. Já lhe dizia eu a Aqui, experimentada sofredora de noites em branco, que aginha me havia tocar a mim espertar mais cedo, às seis ou às sete da manhá, seguindo o ritmo com que o amencer lhe vai colhendo anacos à noite. Já estava a pensar eu que já me tocara. A questom de fondo era umha agúria estranha. Sonhos de inestabilidade laboral, de problemas pessoais e de parelha, medos e mais medos alterárom as últimas noites sem terem muito motivo. Ontem pola tarde, acabei "A noite do oráculo" de Auster. Deitei-me co "Sonham os andróides... " de Dick (é para casos coma estes que há que reservar certos autores). Sem necessidade de as contar, colho o sono sem dificuldade, ergo-me descansado por primeira vez na semana. Nom, nom sonhei com ovelhas.
(Nom me livra isto, de qualquer jeito, de que as noites mingüem e levem com elas bocados de sono e de tranquilidade.)

posted by São Tomé 00:03

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Quarta-feira, Fevereiro 16

Acotaçom: Serpes

< Cousa estranha, sonho com serpes, coma o Sílvio. Primeiro umha serpe-mulher, que aparece oníricamente de volta na minha vida onírica sem convite. Ante o terror subseguinte, acho que a transformo num auténtico ofídio, que repta cara a mim pola cama adiante. Tapo-a co jornal. Mudo de quarto. Volta aparecer por surpresa. Esperto algo agitado. Evito empregar o google como busca fácil de significados ocultos. Fica ai o meu sonho com serpes. >
posted by São Tomé 01:54

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A escuita de Sérgio

Achega-se o Sérgio, logo dum bom tempo, à casa.
Como sempre, ao lhe perguntar quê tal está, sei que me vai referir o seu dia completo, desde que se ergueu até o momento em que chegou onda mim. E ainda logo, para me contar como é que um carro pilhou à sua curmá ou como lhe vai ao seu pai coas vinhas, reproduz polo miudo as conversas telefónica mais comuns, situa-me em contextos completamente cotiáns e dá-lhe voltas lentas à conversa até chegar a cada anédota.
Sérgio é assim. Debulha nas historias grao a grao, e sabes bem que quando combinas com el é cousa de deixar a presa por outra banda, acomodar-se bem na cadeira ou no sofá e aprestar-se para sentir essas mornas narrações de quotidianeidade na que se especializa. Aproveita-se bem o tempo nessa aprendizagem da escuita. Por vezes pode um deixar ir a cabeça enquanto escuita a narraçom dos últimos problemas da desbroçadora, e fica entom a voz lenta do compagno debulhando grao a grao a vida, achegando umha calma, mesmo no meio dos intres mais acelerados da vida, que só sei comparar co som da chuva a bater nos vidros.
Recomendo encontrar alguém assim, um contador lene do mais pequeno, e aprender a pedir nesses momentos as boas cervejas, ponher a boa música, ajeitar-se bem no asento, e sentir passar o tempo a escuitar o ritmo dessas palavras, que nom som transcendentes nem achegam em realidade grandes revelações, com a importáncia mesma que tem por vezes a música.
posted by São Tomé 00:21

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Terça-feira, Fevereiro 15

Pintores de barras

Leio nalgures umha nova sobre um pintor falecido, já cuns aninhos.
Imagino-o imediatamente coma um homem barbado e canoso, vestido com pouco cuidado, quiçais com cola ajeitando um cabelo que começa a escasear, e bem mais conhecido nos bares da sua vila do que polo público geral ou mesmo no mundo da arte.
Suponho que tem muito a ver nesta representaçom algum dos pintores que me tem apresentado ou assinalado o meu pai, sendo eu cativo, de os conhece nas suas corraias tabernárias. Também aqueloutros dos que me tenhem falado na casa ou mesmo aqueles que tenho encontrado en terraças públicas ou nalguns dos estranos cruzes que tem a vida.
Anda o Mansamino cnta de quando em quando dalgum exemplar neste jeito, coma aquel que, à sua morte, lhe legou aqueles cadros sobre o Prestige, por ver de fazer algo com eles, e que andam agora a dobrar pola humidade no quarto deste bom abegondés.
Pintores de barra, castelán falantes e filhos dalgum jeito duns anos sesenta tam pouco conhecidos que ainda passam por boémios para o vizinhos. Conhecedores do vinho e apegados a umha terra feita de vilas pequenas, de zonas históricas, de bocois a se acumular em escuras tabernas. A beber com o povo, dentro e fora desse mundo pequeno, pergunto-me às vezes se o que lhe achegam ao país é mais polas suas obras ou polo seu papel lá na barra, ao carom dos paisanos.
posted by São Tomé 03:04

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Segunda-feira, Fevereiro 14

Outros Sinbades



De jeito insconsciente associava esta manhá o Sinbad a Cabo Verde. Possivelmente tenha a ver o ter estado a fim de semana toda imerso nas histórias dum outro Sinbad, mais um marinheiro em terra a navigar mares de histórias, chegado doutra banda da Lusofonia da mao do Jorge Amado. É o país de Bolanda agora a praia de Periperi com os seus idosos reformados, com a vista naIlha de Itaparica que já cantava o Gilberto. Cousa grande é esta de estes dous grandes contadores terem contado histórias paralelas de capitães de lendas. Casualidades da vida terem vido a atracar (imagino que já antes o terám feito por esses mares de histórias) os dous nos portos que esta Ilha Trapobana sempre tem prontos para as boas histórias.
posted by São Tomé 06:40

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Meu amor das Ilhas



Nom som desta volta aquelas das que falava o Sinbad, senom essoutras mais achegadas do Cabo Verde (País do Sol). Desde alô vem visitar-nos a Diva dos Pés Descalços, a inimitável Cesária. O dezaoito de junho, se nom há más novas, estarei no Auditório da Galiza, a celebrar essa especial sôdade que nos une, meu amor.
posted by São Tomé 02:24

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Quinta-feira, Fevereiro 10

Flores raras



Som parte dos encantos que povoam as ruinas (onda as baldosas rotas, os velhos mosaicos, as árbores que medram baixo teito e racham o firme). Gosto das pequenas plantas que fam esse trabalho de anúncio da invasom nova, do retorno da natureza aos seus pagos primigénios e confirmam o desalojo inevitável das pessoas.
Do mesmo jeito que as flores raras que medram nos passeios, os couselos dos telhados, o lique a tingir a pedra e a abraçar o sol que lhe incide, o briom que amolece os regos dos muinhos velhos, os fentos que salientam a importáncia da fenda em cada muro, os máis duros vegetais que num espaço mínimo de formigom aferram-se à pouca terra areosa que anda polos recantos da obras e medram em desafio.
A erva e os rabos de raposa que se instalam em espaços que nunca acolherám pegadas, nas rotondas, nas medianas das autoestradas, nas vermas que dam essa sensaçom de planeta alheio ao, de jeito extraordinário, as pisar.
Resumem elas, plantas pequenas e duras, essa reclamaçom perene que deveriamos ter presente da vida sobre os nossos intento por a encarrilar. Como os telhados afundidos das casas que ficárom baleiras. Coma as poças no meio do caminho.
Cronologias vivas, mostras do desenvolvimento e colaboradoras da destrucçom, aproveitamento de recursos.
De deixarmos passar tempo abondo, haviamos assistir ao seu completo triunfo.
posted by São Tomé 23:50

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O bom retorno

Logo dumha semana desaparecido, Jocas volta hoje a dizer que é umha mágoa que remata-se o Entroido. Botou na casa este tempo, logo da sua ausência forçosa do passado ano. Nom podo evitar a emoçom quando me conta
que vestiu de novo o Peliqueiro.
Ausências no Entroido nunca mais.
posted by São Tomé 23:38

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Manhá sem ti

Ontem nom apareceu Aqui. Hoje digo-lho.

As nossas manhás som mais tristes sem ti. Estamos a chorar todo o rato, e nom rendemos nada, e claro, os chefes abromcam-nos, e como levamos um mal dia, damos-lhes a chapa aos nossos amigos e arruinamos-lho também a eles e claro, cos putos seis graos de separaçom, hoje vai alguém, ergue-se co pé esquerdo, e Corea reconhece que tem armas nucleares e que a muita honra. Olha lá a que montaches.
posted by São Tomé 00:20

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Quarta-feira, Fevereiro 9

Samba

Mentres da outra banda do idioma dançam como só lá se pode dançar, eu canto na ducha lenemente e sem quase me dar de conta "Desde que o samba é samba". A tristura na realidade nom passa de ser cansaço. Mas o esgotamento este acaba por te tocar e por me arredar um bocado mais do mundo. A excusa para nom chamar nem combinar nem complicar-se é o último exame. Na realidade pode haver umha boa ganha de ficar sozinho e mergulhar nos livros que levam tanto tempo agardando por mim e a colher po. E, naquele jeito, que pouse a vida que mantivem em suspenso as últimas semanas e colher forças os novos avances que há fazer primavera, inexorável, nos nossos dias.
posted by São Tomé 01:54

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Terça-feira, Fevereiro 8

A ganhar



No meio dos dias e das obrigas que me tenhem calado, a quinta à noite pago um bocado o preço que lhe dizia a Aquí e encontro anacos de fertilizante em músicas, companhas e calmas. Distraidamente bato com esta história e fico hipnotizado bem mais tempo do que devera.
Polo meio, a visom da incrível beleça de Vanessa Paradis a ganhar no casino umha e outra vez lembra-me as historias da senhorita Bloomfield e os seus êxitos nestes lugares (é bem sabido que umha rapariga linda sempre é interessante para ter na mesa). Lembro mais umha vez dela na sua elegáncia de anúncio de perfumes, das casas de Granja, do Casino de Espinho já para sempre a agardar por ela.

posted by São Tomé 00:40

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Quarta-feira, Fevereiro 2

1+1= Gromos



Ao reler os posts de ontem, sumo e concluo que levamos no sangue sementes que, bem antes do que nós, sintem o medrar os dias e botam-se a agromar (coma a tolémia na primavera).
posted by São Tomé 22:16

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A celebrar

Tenhem que vir a Senhora Dot primeiro e Vieiros depois a me lembrar que hoje é de novo o dia da Candelória-Iemanjá. A ver quem tira Caetano da Cabeça em todo dia.
Será em fim cousa de celebrar dalgum jeito, mesmo no meio do vento.


posted by São Tomé 02:36

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Terça-feira, Fevereiro 1

Alerta: Dessacougos



E será o Nordés. Sopra sem parar desde há tantos dias que nem se lembra, e trai o frio, e achega também umha sal que nos fai endurecer a carne e no-la seca, separando-a um bocado dos ossos. E será por isso que andamos todos a nos comprimir cara ao interior, a fazer por a manter no seu lugar, a nos reconcentrar porque sentimos formigas que bolem nuns espaços que nom estavam antes e com a inquedança olhamos para toda a parte, a ver quê acontece, e quê figemos mal e quais som os problemas.

Desde um ponto de vista menos meteorológico, reencontramo-nos cumha rutina mais fria e dura logo das debacles vitais do Natal, umha vida mais fria, um retorno, e agora fazemos por configurar as relações que nos ham marcar a vida nos vindeiros meses. Nom gostamos de tudo dos livros que lemos, do jantar que temos, das companhas breves que tenhem sempre umha faisca de dessacougo. Experimentamo-nos, queremo-nos mudar a vida, temos mais a sensaçom de termos errado e pensamos se e temos que arranjar mais cousas. Quando na realidade há estar tudo igual, os mesmo graos de areia numha maior sensibilidade da pele. Será cousa de aproveitar a conjuntura e se dar um novo centrifugado, que é bem sabido que ainda nos faltam umhas voltinhas.
Agardade a ver o que acontece quando volte a chúvia.
posted by São Tomé 22:52

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Viagens oníricas

Durmo a fundo, tanto a sesta coma a noite toda. Sonho cumha viagem, primeiro caminho com a minha mai por umha praia que nom existe em Ponte Vedra. Por toda a parte sinais do maremoto. Ruínas militares, passos que se achegam. Logo juntamo-nos todos no carro e avançamos por umha Inglaterra de aldeias, grisalha e cheia também de ruinas. Afinal paramos nos restos dumha casa que ainda fumegam. Baixo a fazer umha foto e o meu pai, por fazer o chiste, marcha co carro abandonando-me. Saio resignado caminhando a buscá-los, por umha estrada velha que corre entre casas brancas, em tudo idénticas às que se podem ver no país.
Ao espertar ainda nom os dera encontrado. Faga-se a intrepretaçom psicanalítica que se queira.
Eu tiro deste sonho que, definitivamente está a se me avivar o gosto polas ruinas industriais, do que já falarei noutra ocasom.
posted by São Tomé 00:35

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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