Quinta-feira, Dezembro 30
Miradoiro
Sempre me fascínárom as cúpulas transparentes dos velhos bombardeiros. Parecem-me um lugar fabulosso no que ir e olhá-lo tudo. Lugares de luz, do mesmo jeito que as lanternas dos faros ou as galerias nas casas. Dentro e fóra ao mesmo tempo. E para mais a voar. Tomar o sol e um bom livro, um refresco e a paisagem de vagar lá embaixo...
posted by São Tomé 11:36
Nom se admite do:
Lá o vai
Mais umha ocasom para me sentir velho. Desta volta um pouco mais e um bocado mais afortunado também. Sem cair de tudo ainda na depresom de Natal, sem cair ainda na depresom da saude. Tendo ainda bem de cousas por definir e por limpar. E quê mais terá. Nom há queixa, o cansaço é apenas umha constataçom.
Opto por ficar na casa, caminhar a modo na última noite polas ruas ateigadas de gente no jeito habitual, com boa parte dos velhos companheiros. Beber demoradamente cervejas sabendo que tudo há ser mais ou menos coma sempre e com a certeza de ser lá onde mais resoam os meus mais sinceros risos.
Já virám noutro tempo, quiçais menos inverno, novas xeiras de aventura. Polo de agora, recolho em certo jeito velas e deixo-me levar na corrente.
posted by São Tomé 11:11
Nom se admite do:
Quarta-feira, Dezembro 29
Sair à rua
Ergo-me da cama. Fago por incorporar-me pouco a pouco a essa vida que anda sempre dous passos por diante. Dou esses passos numhas ruas que nom me reconhecem como seu, alheado como ando. Comprovo, como cada vez que saio de feches, o jeito em que parecem mais lindas as mulheres que encontro, e mais cheios os passeios de gente. E como som já doutros os bares, pago nos comércios cum aquel de estrangeiro.
Volto ao caminho aos poucos, passou algum trevom. As ruas agardam, assolagadas de inverno, as pessoas feitas vultos nos portais semelham falar como eu caminho: com medo ainda da vida, de que nom seja ainda este o intre ajeitado de voltar ao caminho e toque de novo comprovar-se feble. Os passos cambaleam e petam ainda em cansaço, em dores, em sono, restos do temporal. Aprendo a caminhar mais umha vez dalgum jeito
com o apoio inestimável dum seu braço.
posted by São Tomé 13:40
Nom se admite do:
Terça-feira, Dezembro 28
O rio ao longe
Canso de cansaço e de enfermidades, afinal ainda será tudo que tenho silêncios onde nom deviam estar e que de novo coma sempre acho de menos algum outro mundo. Fugir bem longe. Que as distáncias bem se vê som relativas sempre e nom compre ter-vos a milheiros de milhas para verificá-las. Que tudo é cousa de saude e de tempo e do frio que nos caeu enriba -decatai-vos- repentinamente coma umha capa de lousa na que ficou o mundo quedo e escuro. Marés que venhem e vam, nom fico tam incómodo nestas navigações, que bem sei que tudo muda e que ninguém pode, mengana, olhar-se dúas vezes nos teus olhos e chega a gente ao ritmo ao que vos perdo a todos e perdo um bocado de mim.
Acodem aos meus beiços velhos mantras de teimosia, repito inconscientemente séries numéricas enquando estou aínda a meio durmir -seis, sete, seis, sete-, esbardalham as lembranças ante os olhos vermelhos. Fugir bem longe, o rio chama por mim. Nem é exactamente, mas vive em mim umha sensaçom como de querer
viver no passado.
Tenho sono.
posted by São Tomé 10:06
Nom se admite do:
Segunda-feira, Dezembro 27
Índico
Com a saude ainda a meio aquecer, penso ante as notícias dessoutra cheia, que Trapobana estivo lá nalgum momento. Onda as ilhas Andaman que tanto jogo dérom à Antropologia. Onda Reuniom, Comores e as Maldivas, e Java e Indonesia e nomes quase tam míticos coma o que dá nome a este espaço.
Quero o Índico. Gosto do seu jeito de Mediterráneo imenso. Da sua história para nós oculta de rotas de intercámbio, de línguas irmás bem afastadas, de cerámica chinesa em África, de factorias árabes na Índia, de escravos e de espécias, de portugueses perdidos e, nom esqueçamos nunca em horas negras, casa das aventuras do bom Sinbad.
Som, ou gostava ser, Índico.
posted by São Tomé 13:42
Nom se admite do:
Quarta-feira, Dezembro 22
Na ponte velha
Há um Portomarim antigo, assulagado no encoro. Quando as águas baixam, vem-se as casas, as pesqueiras, as estradas, povo mergulhado coma o que há em todas as lagoas. Nom tocam as campás líquidas por San Joám, que lhe levárom a igreja.
Ham de baixar ai as ánimas dalguns dos nativos mortos, a habitar a terra de sempre. Há baixar um dia o povo da montanha para ocupar o val, como ham voltar as águas ao rego.
Há também a pegada do arco que puido ser ponte primeira. E ainda fica a pé a outra ponte, a de calçada de pedregulho e terra, firme impossível desta impossível terra.
Logo há vir o dia que as águas levem os arcos da ponte do Portomarim Velho. E já nom se poderá cruzar o Minho quando a maré da barragem esteja no mínimo, como nós figemos na tarde.
Pergunto-me por um intre
de quê banda ficaremos para entom.
posted by São Tomé 08:54
Nom se admite do:
Terça-feira, Dezembro 21
Bom Natal, sim
Polo de agora tudo se reduz a umha certa intranquilidade (horas de mais na casa, o vosso fugaz retorno a umha vida à que nom me acabo de afazer). Temo que em qualquer momento pode começar a típica depresom que, sem razom real, me assalta cada ano por estes datas.
Por uns dias, sem o poder explicar e como se a Lua baixasse, a vida nom me tem sentido nengum, a tristura e a apatia cobre-o tudo, é melhor nom estar perto.
Faltou-me o ano passado, mas, a verdade, quase foi pior a manifestaçom afectiva daquel nom lhe ver sentido à vida, desculpas às afectadas.
Vendo que a cheia cae desta volta o 26 (trigésimo quarto aniversário do meu irmao), fago acópio de filmes, videojogos, livros pendentes e preparo-me para caer no burato.
(E ainda bom que desta volta ainda nom me tocou escuitar panjolinhas polas ruas).
posted by São Tomé 12:48
Nom se admite do:
Parte de guerra
Ainda que nom dim notícias ao respeito ultimamente, o meu particular sequestro continua, e a guerra subseguinte também. O resumo das operações militares é breve.
Comecei a minha ofensiva cumha audaz incursom no cesto da roupa suja onde agardava encontrar possíveis reféns para um intercámbio. E encontrei, mas finalmente o MPLN negou a possibilidade de canje e tivem que os libertar sem resultados. A continuaçom iniciei a campanha de limpeza, mas aginha me vim afectado por esse ataque biológico que me tivo postrado boa parte da semana passada.
O meu mal estado nom impediu, sem embargo que os crueis sequestradores enviassem umha missiva cumha mostra dos fios do meu companheiro, instando-me a tomar umha determinaçom com presas.
Na actualidade, e logo de deixar a vassoira onda o lugar onde se acumulam esses objectos que devo tirar ao lixo dumha boa vez como mostra de boa vontade, ultimo um plam de partiçom de espaço que lhes outorgará ás minhas pelusas umha autonomia de facto em amplas zonas do fogar.
Unicamente me reservo corredores de paso, a superfície da cama e a possibilidade de compartir fregadoiro, fogões e banho. (Agardo que nom se deam conta de que a situaçom nom muda apenas a respeito da actual).
Agardo que aceitem, temo novos ataques biológicos. Seguiremos informando.
posted by São Tomé 11:20
Nom se admite do:
Segunda-feira, Dezembro 20
A umha vila pequena
Será por andar fechado de mais ultimamente, mas as ganas nesta manhá som de colher o carro (isto é, contigo com chofer), e botar a andar até pararmos numha vila nom muito grande, onde tomariamos um café em qualquer bar sem identidade onde os vizinhos nos olhariam estranhados e procuariamos na igreja ou no centro sociocultural correspondente a expossiçom pequena que toque por estas datas de elementos etnográficos da zona, de figuras do belém ou, como no castelo de Castro Caldelas, fotografias tomadas por prostitutas a explicar o seu mundo. Jantar nalgum lugar onde nos figessem agardar horas umha comida nada excepcional e voltar a casa para durmir canso, cos olhos cheios de céu e da tua imagem ao volante, que no fondo, devem de ser os elementos que mais apetecem.
posted by São Tomé 12:24
Nom se admite do:
Sexta-feira, Dezembro 17
A recolher imagens
Vides entom. Chegades tam aginha a recolher umhas vossas imagens que nom acabárom de calhar. Quê breve semelha agora a ausência que fina.
Fiquei neste tempo com vós estantias (em bola de neve acaso), resumidas em cenas e impressões que figem por nom remexer de mais.
Pensei em verdade que havia calhar mais em mim o tempo. Achei que estariam instalados mais firmemente os vossos ocos em mim, mais afundidas na pele as estrias que vides agora encher brevemente, que a ausência havia ser de dores mais concretas.
Vides agora recolher as vossas imagens. E ao finar o outono, fazer-se noite mais cedo, ao ir a vida ultimamente tam rápida e tam desdebuxada, só vos podo ofertar espaços imprecissos cos que vos aduviar e que amanhar enquanto estejades.
Pergunto-me com medo quê havedes deixar ao marchar de novo. Quanto de cómodas estaredes nestas imagens, que de certo ham revelar-se sépia à vossa presença, nas que vos conservei. E de certo, seredes melhor que todas as vossas imagens.
posted by São Tomé 10:31
Nom se admite do:
Miss Private (sail around the world)
Agora inverna o outono, e ponhem-se as cousas umha brétema coma a que cobre os vales secretos do Sil (sempre fechados, nom se podem ver nos mapas; habita lá umha gente pequena e escura, que falam bem distinto daqueloutros que vivem por cima da néboa).
É deste jeito que escuito de novo essa cançom com a que mido de quando em quando o alcance íntimo da tua ausência.
Coma numha dessas bolas de cristal nas que neva quando as viras, ficam ai dentro tempos de nós a escuita-la repetidamente no sofá, tu co projecto de restaurar umha cadeira, montar umha festa, mudar por fim de vida ou algumha outra grande ideia que ficou por realizar. Eu a estudar um bocado, ou a fazer por ler nos anacos em que parávamos a conversa.
A questom é que o outono inverna, e a poalha das cousas fam-me ver aquela ideia de navigar contigo arredor do mundo, as ilusões pequenas, já também dentro da bola.
Nom é entom a distáncia quilométrica a que sinto desta escuita. Antes é estoutra de olhar desde fóra do cristal sonhos velhos que nom ficam ao alcance da mao e que ficárom em burbulhas dentro dum. A dar luz e a aquecer, sim, para as tardes de chuva, aqueles recantos de aranheiras.
É mágoa (desta volta sim, por causa das larguras dos mares), bem sabes, nom podermos combinar ao carom da estátua numha hora. Foi a largura essa, o tempo sem ti, o que deu nesta impresom de vidro fechado.
Sei lá como voltaremos fazé-lo. Se será onda a estátua ou se crearemos outros carreiros. Se durmiremos semelhantes os sonhos, se serám outras as canções se virá distinta a luz do sol do meu salom a te clarejar os olhos.
posted by São Tomé 10:10
Nom se admite do:
Futura sobrinha
Velaqui a primeira fotografia que me remitem do que seja que vai vir. Nem sei por quê emprego o feminino genérico, quiçais seja profecia...
A ver se desta volta exerço melhor de tio do que na primeira oportunidade.
Parabéns aos papais. Vese-lhe linda.
posted by São Tomé 09:49
Nom se admite do:
Quinta-feira, Dezembro 16
(Acotaçom: Outros recém nascidos)
< Num momento da noite, abro os olhos e vejo aquela sala onde cinco pessoas conectadas aos seus respiradores, bolsas de medicamento, garrafas de soro, fam por durmir ou por aturar as dores, em possiçom fetal, olhando o teito, buscando polo descanso. Desde a porta os acompanhantes olham-nos com evidente preocupaçom nos seus gestos, compartindo as pequenas histórias de malestares e medos que nos juntárom a todos lá. E sinto de repente, lá a meio durmir, como é essa a mesma preocupaçom das maternidades. Somos ali nós, doentes, recém nascidos que se enfrontam a umha nova vida de incerteza. Estamos lá todos em agarda, as coordenadas do pensamento marcham, se ninguém o consegue reparar, inevitavelmente cara o futuro, e desvelam moitos desses corpos.>
posted by São Tomé 12:33
Nom se admite do:
Noite com Belém
Passo a noite com Belém. Deitado numha sala de urgências, a provar as delícias do Nolotil, a asustar os médicos, fago por a animar, que se lhe vê preocupada. Eu estranhamente abordo as possibilidades de que tudo seja muito mais grave dum jeito zen abondo. Nom me podo queixar. Que venha o que for.
Ela fica lá toda a noite. Fica ao carom desta estranha cadeira de braços. Senta no chao, passeia polo corredor, fai por durmir um bocadinho quando fica um oco livre.
Embora lhe insisto para que marche, que estou bem, que os resultados tardam que tem que trabalhar, fica.
Eu também o faria (ainda que bem sei que nom tenho medo e é só quando ameaçam com sair os resultados que perdo finalmente o sono, - quê gana tenho de que me tirem esta via do braço, me deam uns antibióticos e marchar para a casa, ou em todo caso, me mandem para um quarto e me digam a quê me tenho que enfrontar finalmente).
Decato-me como sei perfeitamente que nom tenho a ninguém que puidesse estar lá melhor do que ela.
Sem amosar preocupaçom de mais, sabendo perfeitamente como se comportar em cada intre, como conseguir das enfermeiras esperanças sobre esses dados que nom chegam, achegando umha companha ao tempo intrascendente e fundamental, permitindo-me unicamente com a sua presença ter lá fogar abondo como para manter a minha despreocupaçom. Também tem práctica em velórios desta caste, a menina.
Chegam para além certos SMS que me lembram que há gente abondosamente preocupada por mim. E a meio durmir penso em todos eles, e em até que ponto sei que nom me falham, como podo mandar a Sérgio ou a Ana a me fazer a compra, como sei de Jocas que me vai levar, traer ou assessorar em questões médicas quanto faga falha, como podo contar com as tuas apertas e os teus desvelos...
Fico bem entom. Alimento-me de mostras de carinho, e a miudo é apenas questom de as ver, que por sorte estám ai arredor, sempre, as pessoas, e só fai falha olhar.
posted by São Tomé 12:32
Nom se admite do:
Sexta-feira, Dezembro 10
SEQUESTRO!!
Recevo um SMS que me tira o sono: "Secuestrado calcetín. Recibirá instruccións. Faga o q se lle diga. Non chame á policia. Do contrario recibirá o seu amigo convertido nunha bobina de fio".
Disposto a chegar a um acordo, solicitei confirmar que a vítima se encontra em bom estado antes de iniciarmos a negociações.
Hoje recevim num correio a terrível notícia de que se trata dum sequestro político que pom em perigo a minha organizaçom vital.
"O que aconteza nas próximas horas depende de voce.
O EPLN (Exército Pelusista de Libertaçao Nacional) esixe as seguintes
condicións para a liberación do peugo:
- Desarme de toda a casa e eliminación das armas de destrucción masiva
(vasoira e fregona) en presencia dos observadores do EPLN.
- Comezo das negociaciósn de cara ó recoñecemento dun Estado Nacional
Independente para o noso pobo.
EPLN "
A situaçom era previssível. Nalgum momento haviam-se sentir fortes de abondo para dar o golpe. Começárom fazendo assembleias, e agora querem fazer-se com o poder.
Acabou a convivência amigável cum reparto de áreas e de tarefas. Temo perder o quarto e o banho, lá onde as forças rebeldes som mais fortes, e que a metade da casa se me transforme numha República Democrática Popular das Pelusas...
Vou tentar dar um golpe de mao ao longo desta fim de semana...
É o momento de passar o rio, a lembrar essa cançom que me ensinou a avoa.
Seguiremos informando do estado da luita.
posted by São Tomé 13:59
Nom se admite do:
Chofff
É bem conhecido o som da merda quando se pissa, nom é?
Ontem lembrárom-me que tenho umha certa capazidade para pissar sempre o mesmo tipo de merda.
A impresom geral que fica é que tenho certos problemas para gerir as minhas relações sociais (quê novidade), nom foi esse o meu campo desde pequeno
(pergunto-me em realidade qual é essa minha leira e onde ficam os marcos).
Problemas também com a privacidade (e é também por isso Trapobana um jogo em anonimatos, practico até onde podo contar e quando digo porque por mim, nom importava saberdes todos com quem fodo e em que jeito prefiro te acarinhar os peitos, por exemplo). Ainda nesta altura, às vezes nom tenho claro de abondo a importáncia que outros lhe dam ao segredo. E pisso merda.
Como nova perspectiva após a bronca, fico com a sensaçom de se nom cairei também mais do que eu mesmo penso no mecanismo de repetiçom do erro, e se nom deixarei esmorecer certas relações antes de aceptar que metim bem o pé na poça de sempre.
Fazemos por ir aprendendo. Desculpas aos afectados.
posted by São Tomé 12:46
Nom se admite do:
(Acotaçom: Ribeira Sacra)
< Deixando-se de lérias, Sacra é a ribeira dos teus olhos de outono ao carom da que pairo ultimamente
e que me tirem de ai os mosteiros e os castelos e os altares onda o rio
que sim, que estám muito bem
mas é esse teu olhar o que gosto eu de profanar
achegando-me de mais e pousando na meninha
e tornando-lhe as luzes, ocultando-o entre cabelos
ou, directamente levando-o do mundo
naquelas horas em que mo reservo em exclussiva.>
posted by São Tomé 09:57
Nom se admite do:
Quinta-feira, Dezembro 9
Sonhei um post de olivas
Sonhei um post. Homegris tinha postado umha lata de olivas convincentemente modificada como el bem sabe fazer, e (lembro a cançom)
num tempo no que cada gesto deixa ecos pequenos a me dar umha pequena pesadez de permanência no tempo,
aparecem as olivas como pequena soluçom sem sentido, sortilegio zen de instrascendência,
ponhamos por exemplo umha lata para reclamar umha certa importancia do non-sense
e deixemo-nos guiar polo sabor cara à saida dum momento minimamente mesto
que nunca se sabe por quê aparecem graos de areia na cama
nem como fam para se esvair -por exemplo- num beijo
ou através dumha oliva ao sol.
(cuando quiero aliviar mi locura)
posted by São Tomé 10:02
Nom se admite do:
Terça-feira, Dezembro 7
Coma no fondo dum encoro
Anda estám estes dias a se instalar na memória, em sabendo ainda do excelente de tudo, das estradas contigo ao carom, dos projectos de asalto, das noites imensas a luitar contra o frio. Ainda estám se acomodar como lembranças dumha pequena viagem que foi já, do mesmo jeito que o po tarda em pousar no fondo dum encoro.
E sei que ham ficar, e que se ha destilar destes tempos umha bom licor que hei paladear em futuros outonos, com a lembrança dos seus olhos a reflectir as árbores e o sol que nos mata na estrada.
Penso sem embargo, que havia de ficar eu mais estupefacto por tudo o visto há uns anos.
Pergunto-me se será efeito de tantas árbores, estradas, espaços vistos, as enrugas que se me acumulam na perceiçom virgem.
posted by São Tomé 11:21
Nom se admite do:
Sexta-feira, Dezembro 3
Os mais e os menos
E nom é por seguir as suas solicitudes, mas ainda, sem muito esforço
goço mais do seu sorriso
do que poida me preocupar polos seus problemas.
posted by São Tomé 18:29
Nom se admite do:
Sempre a piques
Do mesmo jeito que outros procuram incansáveis a Cassiopeia, ás veces eu decato-me de como levo todo o tempo no mundo a facer por lhe colher o pulso à vida.
Reconheço que nom dou feito. Que ou me supera ou sinto-me um bocado por fóra, e nom me dou afeito a esse jeito em que dança.
E nom me podo queixar, e vai bem, pero agora por exemplo, olho-me um bocado desde fora (e assim lembro até que ponto nom terám a ver as vossas ausências).
Observo, experimento, pauso e acelero.
Nunca está exactamente ai. Bom, quiçais às vezes, no meio de meio dos braços ajeitados, cantando no intre ajeitado, a dançar em pontos concretos ou descendo a grande velocidade coa bicicleta, tenho sentido que quase a tenho.
Mas, quiçais coma no sonho do outro día, afinal seja cousa de se dar um de conta de que a vida move-se só a ritmo de vida. Umha dança que se eleva coma o caminhar do sábado pola manhá a fazer recados lenes.
E será o segredo ficar com essa sensaçom de a meio nadar, deixar-se sentir nessas eternas mareias que, se bem é certo que às vezes cobrem o peirao, voltam finalmente ao rego.
Estaremos feitos em fim dumha quotidianeidade salgada,
E um bocado arriba
um bocado abaixo,
a vida vai às ondas.
posted by São Tomé 12:09
Nom se admite do:
Quinta-feira, Dezembro 2
Chegas no gesto
Sem motivo aparente, lembro desse teu gesto a dizer como as tuas cadeiras estavam desenhadas para levar nenos.
Com a lembrança vém a consciência do tempo sem me verter nos teus ouvidos, do tempo sem petar contra os teus olhos que tenhem capazidade e direito para me julgar coma os de ninguém.
(Porque me conheces como te tes conhecido, porque me viches caer e me erguer, porque som teus e só teus os olhos e ainda botaches bem de horas a esculcar ).
Decato-me de como faltam outros teus gestos ao carom, e aperta algo agochada que che dava ao te acompanhar um bocado cara à casa, dando-lhe mais umha volta ao tema.
É esse, nesta altura, o jeito em que me vejo achando-te de menos, e como vai o tempo passando sem te decatar.
E como se tem feito algo mais estranha a vida sem o teu concurso.
posted by São Tomé 13:16
Nom se admite do:
Os sonhos e a febre
Será influência das altas temperaturas, pero nos últimos dous dias estou a encontra-me sonhos estranhamente entrelazados.
Ontem era eu a encontrar um lote de amigos que iam vindo um a um onda mim a me perguntar onde havia que ir agora. E eu a lhes dizer a todos que nom havia nengum outro lugar ao que ir, que já estava tudo e que agora só era cousa de ficar por alô, naquela estranha vila portuária, e passear polas ruas, e viver com aquilo tudo, que já nom havia objectivos que alcançar.
Esta noite, tudo gira arredor daquela espécie de barbeiria ou bar no que toda aquela hoste de parroquianos eivados e encantadoramente estranhos encontrava acubilho e entre eles andava eu, a gozar da sua tenrura e a comprender as suas rarezas, sentido-me maior e estranhamente normal.
Também saio à noite de verao portando a almofada e o nórdico, buscando mais umha vez um lugar onde durmir na rua, como já tinha feito, e Sérgio lembra-me que temos por editar o final do nosso filme, e estou por ficar na faculdade, ao carom do lugar onde séculos atrás se erguia um campamento romano, como bem lembrava dum sonho velho, mas já vem o dia, e lá volto à barbeiria aquela, com os meus inadaptados de bárrio antigo, cruzando a ponte inçada de gente cara o fogar aquel.
posted by São Tomé 10:16
Nom se admite do:
|
Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro
"Si o vello Sinbad volvese ás illas"
Past
current
conta-me
algo |