Trapobana

Sexta-feira, Junho 11

Venho de longe



Meu Deus. Quê difícil foi erguer-se esta manhá. Corrim o serio e estranho perigo de ficar apegado as sabas (lenções) mais dos quinze minutos regulamentários.
Vinha de longe. O sonho començara cumha práia imensa, onda a Lançada, de água doce cum iate. Depois transformou-se numha imensa festa-receiçom oficial onde umha ministra-conselheira nom deixava de me pôr na mao cervejas da maior qualidade ao tempo que me perseguía discretamente polo lugar com intenções aparentemente pouco honrossas. Finalmente (a apoteose), umha entrevista a Camilo Sesto e a correspondente actuaçom (meu deus, meu deus, deveria limpar um bocado este subconsciente).

Finalmente consigo saír da cama e do sonho. É duro.
Venho comprobando desde há tempo que possuo umha vontade fóra do comum para saír da cama quando cómpre. Já podo ter durmido três horas, estar de ressaca, deixar alguém dentro... só umha ou dúas veces no ano supera-me a inconsciência (mesmo para isto tenho activos os meus mecanismos de hipercontrolo). Deveria conseguir umha disciplina semelhante para limpar a casa mais regularmente.
Finalmente almorço esforçando-me por esquecer o tema que cantaba Camilo no sonho. Consigo-o, asolagando no proceso a cozinha com zume de laranja graças, também ao abrefácil de Dom Simom.

(Louriano, que veu de visita fugaz, durme no salom no entanto. Deu-me permisso para contar a sua particular visom infantil da diglossia, de jeito que enquanto tenha um anaco, contarei essa fabulosa história, para solaz e aprendizagem de todos aos públicos.)

posted by Sao Tomé 19:11

Quinta-feira, Junho 10

Esperto longe

Ergo-me em cama quase alheia e sem embargo muito própria. Nom reconheço os ruídos (muitos e muito variados) que soam arredor. E sem embargo, esperto bem mais descansado do que nos últimos tempos, embora nom fossem tantas as horas.
Estou na casa familiar.
Encontro polos recantos pequenas sensaçons contra as que me tenho acoiraçado ao longo dos anos. Penso em vir acô e passar um par de dias simplesmente sentido-as, remexendo os velhos objectos, os cascarons que abandonei há já bem tempo, os posters e os livros, e as cousas que ficárom coma se realmente nom tivesse marchado quando tinha apenas dezaoito anos, coma se ainda houvesse em realidade ocasom de voltar a esses intres.
Sinto como há cousas pequenas que me rozam a pele, sinto os gumes, o poder que tenhem ainda de me ferir tantas lembranças dum eu que nom som, tantos problemas dos que me tenho distanciado, a sensaçom imensa e contida de que abandonei o barco quando ainda fazia (e fago) falha cá.
Polo de agora passo muito por riba delas. Evito-as. Nom me enfronto com essas pequenas tragédias que condicionárom tanto a minha vida durante anos.
E saio da casa, e vou dar umha volta, e volto (a estes lugares, a estas gentes, a estas sensaçons que mitigo)
coma um sonho acordado.
posted by Sao Tomé 18:37

Quarta-feira, Junho 9

(Acotaçom XXXIII: Andorinhas)



< Voam aceleradas, em círculos acrobáticos e elipses impossíveis. Descendem ao nivel da rúa, passam ao meu carom e remotam sem problema. Achegam-se á fiestra onda a que trabalho e semelha que vam dar contra ela. E de socato viram e fogem.
A primavera fai-se delas também. E nem sei até que ponto nom é essa dança frenética que nos acompanha polo céu a que nos vira a cabeça, nos fai erguer os olhos do chao, nos leva à conversa, aos problemas, aos beijos. >

posted by Sao Tomé 20:37

Eguer-se e Tréguas

De novo esperto com a sensaçom de deixar atrás uns quantos sonhos. Sei que, de novo, conversava com gente conhecida. Sei da sensaçom do licor café a baixar polo esófago. Sei dalgúns beixos e de me teres apertado no sofá. E poida que nom fosse tanto sonho afinal.

Leo, cum certo atraso, o Anxos de Garda desta semana. Fabuloso:
¿E é todo tan fermoso. De pronto sinto ganas de chorar. Penso en min, no meu cerebro ferido e sinto unha enorme tenrura e choro. Nunca antes sentira tanta tenrura por min, pola miña fraxilidade, polas miñas veas furadas, pola miña dor, pola miña forza, polas miñas ganas de vivir, polas miñas noites de insomnio, por amar e por gritar. Por min.
Cáenme as bágoas porque sei que só é unha tregua. Pero son tan feliz...¿

Para além de aledar-me por essa ledízia, devo agradecer-lhe a Anjos ser quem de explicar assim de bem as tréguas. E fazer-me pensar (ultimamente tudo me fai pensar, um bocado rápido de mais, um bocado por riba, mas muito) nelas.

Acho que há tempo que já me dei por vencido, e pensei que em geral só nos ficam pausas na conflagraçom da vida, ao jeito que tam bem nos contara o Benedetti.
Nos últimos tempos sinto-me sem embargo em tréguas discontínuas, em diferentes níveis de paz. (Me siento bien acompañado, me siento casi con respuestas). Há quem me bica, quem me escuita, quem me mima, quem me dá o toque, quem bebe comigo, quem me louva, quem me faz pensar, quem caminha ao meu carom.
Mentres, sem embargo, andam baixos outros indicadores, há luzes vermelhas de aviso, falta lubricante e rengem algumhas apertas ou, precisamente, a sua falha.
E em geral, a diferência doutros tempos, fago um balanço inconsciente. Nom me deixo levar polos problemas, nom me afundo.
Sinto e agradeço estas minhas tréguas.

posted by Sao Tomé 18:41

Papá Regueira (O Velho Mestre)

Assim ao parvo, quase choro lendo-lhe a entrevista en Diario de Pontevedra. (Impossível de ligar. Hemeroteca do 8/06 página 12, formato PDF (nom o ponhem sinjelo, nom).
Ramom Regueira, Catedrático de Filossofia, retira-se e deixa o ensino depois de tantos anos.
Foi el para mim esse professor que tantos tivemos, que se fixo mais mestre do que docente. Desde há muito som tremendamente consciente do importantes que forom os alicerces que me ofertou, de quanto de mim se formou a partir do aprendido com el.

El mesmo o di nessa entrevista: temos pais biológicos e temos pais biográficos. El foi um meu pai biográfico.
Dou-lhe imensas graças e fico obrigado com el como o estou com muito poucas pessoas. A ver se um día o encontro por aquela cidade, tomamos-lhe um café, ponhemo-nos um bocadinho ao día. A ver se um día começo a iniciativa popular para lhe erguer um monumento. Bem sei que nom haviam faltar apoios, que somos muitos os irmaos.

posted by Sao Tomé 18:34

Terça-feira, Junho 8

Acordo e mergulho



De novo os sonhos chamam por me manter apegada a cabeça a almofada, por deixar-me nessa emissóra que me achega estes dias contos estranhos.
Hoje é um manuscrito indescifrábel escondido entre um quadro. Um mapa antigo que desenham ante os meus olhos. O começo dumha trama que se vê interrompida polo acordador. Bem lhe vejo as fontes à história, mas nom deixa de cumprir a súa funçom de me dar um acordar mais agradável (embora também mais dificultoso).
Calor, exames, lua e imagino que as diferentes presões que ontem lhe reconhecia a Íria que existem e que levo bem (e é certo). Mas nom deixo de ter sono abondo, e pensamentos, e trabalho a esgalha, ultimamente.
Pergunto-me como será a vida depois dos exames. Nom me dá para pensar como podería ser sem esses meus problemas recorrentes dos útlimos tempos. Incorporados à vida coma os tenho, vam-se levando, navigando coma em mergulho.

Martim dá-me umha mínima soluçom: Enquanto remates, começa a estudar para setembro. Aínda há ser plam.

posted by Sao Tomé 20:08

Segunda-feira, Junho 7

Espertares

Esperto.
Ao me erguer deixo a metade da cabeça na almofada. Saio da cama com essa sensaçom de vir de longe.
Fago por reter os anacos dos sonhos. Retalhos de pequenas imagens que deixárom umha sensaçom agradável pero que nom querem me libertar:
Umha pequena história de aprendizagens. Umha vissita a umha leprosseria onde
relativizo os problemas da vida ao ver a capazidade de trabalho e o jeito em que o levam os enfermos. Encontros amáveis com gente amável. Cafés com a turma habitual. Tudo mesturado.

Afinal, quando consigo espertar um bocado mais e me encontro já em pleno almorço (sei que estou mais esperto porque esquecim mais anacos dos sonhos), sinto mais banais os meus problemas ou quase problemas.
Penso entom em quem me inspirou, sem dúvida, esse pequeno sonho sobre o levar com ánimo as piores cousas. Penso até que ponto terá a ver com as mudanças da minha vida (e no jeito de a levar) dos últimos doze meses. Que nom forom poucas.
O sono e a sensaçom nom me deixam.

Umhas horas depois atopo ao Jocas no Messenger e convido-o a jantar para quando saia do Clínico. Também (mas nom só) por esse pensamento.
Apertas companheiro.
Seguimos espertando.

posted by Sao Tomé 21:00

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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