Trapobana

Quarta-feira, Junho 30

Acotaçom XXXV: Caminho longe

< Ao despedirmo-nos na madrugada, apago as luzes e achego-me às fiestras para as fechar. Desde a do meu quarto e sem o saberes olho-che marchar veloz por esse caminho agochado de detrás da casa. Pequena e fugaz, desapareces na noite.
E por um mínimo intre, pergunto-me se poderia ter sido doutro jeito, sinto umha pequena saudade curiosa desse outro Universo no que sim foi.
Como teria sido amarmo-nos a sério, com conseqüências, com dores, com ciumes? Teria sido possível?
Já nom se saberá, e tanto tem. Bom é ter-che como andas, menina.
E nom tenho intençom de te perder de vista.
(Lovers go home). >

posted by Sao Tomé 17:44

Terça-feira, Junho 29

Jardins



Chego a casa e diante da minha fiestra dous operários livram de mato um dos telhados mais floridos da minha rua. Numhas pouquissimas horas vam lá os fentos, o briom, os couselos (veja-se 'embigo de venus') que, lá sim, floresciam sem couto. Agora so há telha, já nom aquela incrível selva onde, às vezes, custava olhar correr os paxaros pequenos e que, de quando em quando, os gatos mordiscavam ou empregavam coma casa de banho.
É pena. Gostava eu de continuar a ver a evoluçom dessa e das outras pequenas selvas, ver a conformaçom do ecossistema, a chegada do pexegueiro furtivo que nom se havia ressistir a nascer, a apariçom dos primeiros ervívoros, a vinda dos predadores, a conformaçom dos bosques que haviam invadir tudo e restaurar desde os telhados o estado primordial da vida em Compostela.
Essa tola esperança nom dessaparece, de qualquer jeito. Há bem outros jardins sobre as nossas cabeças. Há jardins a medrar mesmo no interior.
posted by Sao Tomé 22:11

À beira dum mar que nom existe

Sempre que caminho polas terraças que se asomam à comissaria (Praça Rodrigo de Padrom) tenho a mesma sensaçom de zona portuária. A gente que se senta ao sol da tarde (ou mesmo o da manhá) semelham estar num passeio marítimo, a agardar um mar que nom está, a ver passar os barcos dumha canle.
E será a luz, que bate forte e sem obstáculos diante (para além da mole da comissaria), os grandes sectores de céu que desde essas cadeiras se podem abranguer, a actitude da gente olhando um lugar polo que apenas ham passar carros.
Tudo se combina para fazer da praça um espaço que agarda o mar, ou alomenos um bom rio (com pseduoacácias ao seu carom desde as quais tirar-se à água, cos salgueiros, coas suas sombras e os seus bons caminhos de pescadores).
A sensaçom repete-se, num jeito semelhante naquelas outras terraças achegadas do Sam Clemente e do Cotolay, dispostas de cara à nada que tenhem diante, mais voltas cara a si mesmas mas, aparentemente, de novo agardando esse mar que havia de traer boas gaivotas, e ar fresco, e areia e umha sensaçom verdade simples às vezes tam alheia à pedra desta cidade.

posted by Sao Tomé 22:08

Segunda-feira, Junho 28

Inspiraçom vital

Nestes dias podia-se sentir a vida a aspirar. (Tal e como eu precisava, quiçais.)
Nom aconteceu nada.
Concertárom-se citas, buscárom-se encontros, olhou-se, olhou-se, deixamo-nos olhar. Coincidimos no meio da noite, iniciamos sem iniciar cousas que nom som, nem serám nem pensamos fazer.
A metade do dia em ledízias vagas e a outra metade de mágoas leves. Amortiguamos preocupações, iniciamos novos focos de problemas.
Deixei-me vencer e marchei cedo para a cama. Nom busquei problemas, nom procurei soluções as mínimas urgências que acompanhárom as noites.
Nom houvo grandes penas nem grandes ledízias, apenas pequenos avisos dum e doutro bando, exêrcitos calmos e ainda agochados.
Nom aconteceu nada. Mas apercevérom-se pequenos movimentos segredos um bocado por baixo da pele; polos mesmos lugares polos que lascas de Lua vam percorrendo as minhas veias amosando-me de jeito alterno o seu ying e o seu yang.
É assim que já sintem esses anacos as minhas articulações, o meu humor, o meu sono e os medos mínimos.
Vem ai, há-se sentir bem
a inevitável espiraçom da vida.
Que sopre ao nosso favor, gente.
(Que afinal, veu o sol de novo, e viu-se de novo o mundo, e de novo mil mulheres, e mil caminhos e mil mares. Que afinal houvo que olhar para o horizonte.
E ante tais paisagens, nom abonda nom ser pesimista).
Que sopre ao nosso favor.

posted by Sao Tomé 21:31

Sexta-feira, Junho 25

Sesta



Ainda nom estou totalmente de volta. Ergo-me da cama, sento no teclado incapaz de enfiar ainda de tudo os pensamentos, um bocado preocupado ante o cúmulo abstracto de tarefas que se me antolha a vigília.
Saio da sesta, e um novo dia abre-se ante mim.
Das rotinas que colhim de jeito sistemático no último ano, é quiçais a sesta a que mais arraigou (onda o tai chi e o licor café) em mim. Parto o dia sistematicamente. Começo de novo e consigo assim deixar de lado o que fosse a manhá, afastar o trabalho do meu pesamento, recuperar a vista.
Funciona. Volto ser pessoa nas tardes, já nom me laio tanto do cansaço e das tarefas pendentes.

Hoje é umha dessas jornadas em que, efectivamente, o segundo dia apresenta-se coma um lugar alheio. O ceu anda grisalho e vai calor e nom deixo de sentir como deixei alomenos um pé no meio das sabas. Há um cansaço generalizado no ambiente e o único que eu fago e senti-lo e o concentrá-lo.
De jeito que o único que convida a fazer a tarde som cousas pequenas, coma colar posters nas paredes ou arrumar os livros que lemos estes meses, encontrando polo medio deles (entre as revistas, os jornais, os horários de combóios, os números de telefone que algumha noite apontamos e que nos perguntamos por um intre se chegaremos a empregar) as listas da compra e das tarefas pendentes de quando éramos mais novos, nessa inevitável arqueologia do cotiám.

Dessa maneira é que volto do supermercado e encho de kas laranja um dos meus copos novos de Hoegaarden (33cl compridos), engado o gelo e apresso esse primeiro grolo do que tanto gosto, quando a bebida ainda nom enfriou de tudo e vém à boca a mestura de temperaturas. Dessa maneira é que ponho Belle&Sebastian tentando achegar o sol. Que olho mais umha vez essas fotografias que me enviárom há tam pouco tempo. Que te lembro, penso em ti e fago por te escrever. Que remato deixando ir a cabeça, que vem pousar num post.

posted by Sao Tomé 17:57

Quinta-feira, Junho 24

Duas vezes breve

Continua a ter-me a sua magia a noite mais curta do ano. E acho que nom som o único.
A ver em quê outra noite, antes dum dia laborável, se dá juntando tanta gente na rua, molhados coma pitos, a falar e a olhar o lume embaixo dos gardachuvas e das puchas. Os encontros sucedem-se. Jocas tampouco perde a ocasom, embora nom chega a saltar a fogueira. A gente anda com exames, com sono, molhados, os ánimos nom abondam. Mas de qualquer jeito, sorrio ao me encontrar, já na retirada, a gente dançando ao som da verbena em Cervantes.

O Sam Joám deste ano foi especialmente breve. Desde que era pequeno nom me retirava tam cedo. Mas nom tem mal. O cansaço acumulado é muito ainda e, na verdade, nom dava a situaçom para repetir a tradiçom dos últimos anos.
O normal era resistir até o amencer, com mais ou com menos esforço, os dous de sempre. Acompanhá-la depois a casa e pisar as brasas ainda quentes da fogueira de Sam Pedro. Às vezes parar e tomar uns churros. E despedir-se depois dando por cumprido esse rito.
Ainda temos tirado noites memoráveis a conta disto, embora nom era estanho ficarmos os dous sos, coma uns estranhos adoradores do solstício, de bar em bar, de recanto em recanto, em longas e fondas conversas.
Este ano nom deu o conto. Medram as distáncias. Lembro durante todo o dia dumha cançom sobre tempos e distanciamentos, e entre as ledízias que acumulo, medra também essa sensaçom de chuva que nom vem de fóra.

Mais umha vez, sinto que preciso dumha viagem, ou dum caminho (tam longo coma os recordos que compartimos) por ver se apousentam estas mágoas.
posted by Sao Tomé 18:11

Quarta-feira, Junho 23

Contra as feridas da ledízia

Nestes dias de alegrias, acusam-me, mais umha vez, de amosar pouca emoçom antes as melhores cousas, de parecer mais contente por factos pequenos, por ledízias alheias, que polas maravilhas que me pousam na vida.
Decato-me de que pode ser certo. Que amoso menos as ledízias que podem ferir à gente, que o meu entusiasmo ve-se maior quando é por parvoices inocentes que a ninguém lhe podem comer a autoestima ou lhe sentar mal.
Assim é que se me tem visto mais contente quando merquei o meu aviom, o meu último atlas ou quando algum amigo trouxo boas novas que coas minhas últimas festas.
E nom é que me alede mais, acho que o que acontece é que nom quero sentar-lhe mal a ninguém, sabendo com andam as autoestimas polo mundo, e ainda que sei que a gente fica contente por mim, poida ser que me coute de mais.

Mas nom duvide, gente, que danço na casa, que brindo real e mentalmente, que me brilham os olhos e pago umha ronda para celebrar.
posted by Sao Tomé 21:52

Gatos da janela



Desde que moro sozinho, a minha principal companhia na casa fórom as plantas (Cléo, Titi, Ramsés e Meno por orde cronológica). A sua agarimosa presença impedia em boa medida a chegada doutros elementos de estimaçom.
Mas neste tempo também fórom aparecendo os gatos na janela. Aínda que diferentes, todos eram moradores da rúa (provavelmente família), e todos se chamárom Leãozinho, dalgum gardo mesmo fotos..
Eu botava-lhes impontualmente comida no telhado, eles ficavam achegados à janela, deitados ao sol lá mesmo, mianhavam um bocado e deixavam-se acarinhar um anaco na hora da sesta.
E ai rematava a relaçom. Um bocado de comida, uns poucos e necessários alouminhos, umha despedida e a confiança de abondo de saber que nem havia que perguntar nem importaba a vida fóra da fiestra. Também havia dias em que nom tinha comida, nem alouminhos, e dias nos que eles recusavam se achegar e ficavam um bocado mais longe, ao sol, ou tentando a caça do melro.
Ultimamente tenho mais um gato (mais bem gata) que se achega até a janela. A diferência de anteriores ocasões, deixo-o passar um bocado, dou-lhe ceia no salom. De quando em quando até fica a durmir, e eu acarinho-o até que prende no sono. Gosto de o espertar à manha, quando me ergo e tenho que buscar por el no sofá, embrulhado como anda numha bata velha, e lhe acarinho a cabeça quando aínda nom saíu totalmente da soneca e sinto esse seu carinho de laganhas. Gosto de perder as horas na sua companhia a jogar na hora da sesta.
Há despedidas e, no mesmo jeito, a suficiente confiança para sabermos que é assim e já está, que nom nos imos pedir muito mais que este bom carinho e essas poucas endorfinas piratas que nos oferecemos mutuamente.
E está bem.

posted by Sao Tomé 19:38

Terça-feira, Junho 22

Ledízia cansa



As ledízias destes dias deixam-me baldado.
Ainda sem se recuperarem de excesos de trabalho e de faltas de sono, os olhos doem com poucas pausas. O calor da noite, quando nom as boas emoções que me roldam ou os foguetes que, de cidade em cidade, salpicam o ar, complicam-me a consecuçom dum imprescindível sono longo. Que duvido consiga ainda nesta semana (quiçais logo do solstício...)
Do mesmo jeito que maio, junho cumpre a sua funçom: A vida enche-se, as noites enchem-se, o ritmo muda mas nom decae.
Logo de ter enviado um longo correio com graves e ledas confessões, sinto mais ainda a necessidade de passar a tarde fechado na casa, fechados os olhos, fechado um mesmo ao bom e ao mau, deixar-me apousentar e sentir feliz nesse meu jeito calmo.
A olhar mapas enquanto penso em quem quero pensar, com a consciência só a meio conectar e os sentimentos a fluirem sozinhos.

posted by Sao Tomé 21:42

As amigas guapas

"When I`m walking beside her
people tell me I`m lucky
yes I know I¿m a lucky guy"
(The Beatles- Every little thing)

Em verdade som muitas as vezes que sinto as olhadas de inveja dos homens quando caminho pola rua com algumhas das minhas amigas. E ainda mais evidentes som os olhares cos que as mulheres que cruzamos as analisam essas belezas que conheço.
Sei-me afortunado. É muito comum que caminhe pola rua, que dance nos bares, com essas minhas raparigas que espertam paixões e chamam a olhada.
Lembro os comentários dalguns conhecidos. Desde o Kiko, que sempre insiste em que nom devo conhecer umha soa mulher feia até o Suso que nalgumha noite me tem perguntado polo harém que me acompanhava.

Nestes dias últimos, com algum reencontro pequeno, com algum passeio longo, decato-me mais umha vez de certas belezas, penso de novo na questom. Pergunto-me até que ponto nom gosto delas também pola ledízia que achegam aos olhos no passeio, por esse estranho orgulho com o que as acompanho, polo que gosto do equívoco que pode provocar o caminhar ao seu carom.

Na outra banda, penso até que ponto nom estou mal acostumado a tam lindas mulheres. Até que ponto me fará mal, quais serám as cousas que gardo e quanto me terá custado (e me pode custar ainda) obviá-lo seu físico, ser quem finalmente de deixar o desejo à parte dalgumhas delas. (E lembro neste ponto das que afirmam con convencimento que, sem dúvida, nom som o meu tipo).

Às vezes encontro-me no meio dum bar, e fago contas, e vejo-me sozinho entre seis, ou sete belezas coas que há mais ou menos confiança quando nom franco carinho.
E às vezes, embora sem muito convencimento, nom podo evitar pensar
que isto nom pode ser muito sano, cona.

(Mas nom se chamar a engano. O meu gosto nom é apenas estético, antes poderia dizer, ao contrário, que agradeço imenso essa companha que brindam, mesmo a pesar da sua beleza.)
Obrigado.

posted by Sao Tomé 19:18

Agasalhos

Para além destes correios que mudam finalmente a vida, o dia continuou ontem de surpresas.
Deste jeito, na manhá dum Bloomsday atrassado, a Senhorita Bloomfield surpreende-me co agasalho de "El reino de este mundo". Falo brevemente coa gente que se continua a achar de menos nessa distáncia espacialmente breve. Janto na boa companhia dos amigos velhos, rimos ao nos enfrontar ao sério dessafio (irresoluto) dumha divisom de duas cifras com decimais. E volto à casa canso e aturdido ainda para encontrar na porta dous caraveis vermelhos a me agardar.
Olho esse grande atlas que merquei ontem por nove euros.
Merco anceiados copos de cerveja de saldo, noutra casualidade mais.
Bebo com gente, recevo chamadas e combin para umha apetecível ceia manhá.
Lamentavelmente, Ana informa que nom existe a palavra abrumado em galego. Afundo-me na lusofonia e extraio mais umha vez esse bom ultrapassado, que tampouco é exactamente o que quero dizer (embora esgotado, ainda o vou levando).

Onde é que há que ir dar as graças?

posted by Sao Tomé 18:37

Segunda-feira, Junho 21

Re: (...)

Há todo um cataclismo (mais bem dous) detrás desses poucos signos.
Titulam a resposta a um meu correio que expressava já umha ledízia e um asombro que dificilmente podía pensar maiores.
Mas som. Hoje, nessa resposta (contigo, com a tua boca).
Afagado e assombrado, só a velha pergunta rebole leda na cabeça: Quê fago agora? (onde ponho o achado?).
Para além de agardar por ti, vou ser quem de fazer algo mais?, Vou ser quem de erguer-me cada dia, de falar com os amigos, de ir ao trabalho?
Tentará-se.

É Trapobana um lugar pequeno para as cousas pequenas. E é isto grande de mais para a Ilha, menina.
Prefiro te reservar para a vida, se nom che parece mal.
Beijos mil. Surpreendido. Emocionado. Ultrapassado.
Obrigado.
posted by Sao Tomé 21:37

Sexta-feira, Junho 18

Hermenautas

(Para a fim de semana, por compensar quiçais alguns posts que nom me acabam convencer, deixo cá este fabuloso texto de Quico Cadaval sobre Cunqueiro, incluido no texto teatral de "O ano do cometa". Dedico-lhe o post, coma nom, a Maria, que vai caminho de ser fazer Hermenauta maior, de acordo com o reparto que figemos dos saberes -Ela dedica-se a Cunqueiro, e eu a todo o demais. E depois já compartiremos.- Mil beijos menina, na distáncia.)

Eu fago parte dunha conxura secreta. Unha congregación, unha sociedade que non ten reunións e moito menos acta fundacional. Somos os hermeneutas do señor de Mondoñedo. Idólatras iconoclastas dun taumaturgo que se ocultaba sob un look de bonhomía petit-burgeois. Interésanos todo o de, só el, como persoa física, non nos interesa. Conseguimos retallos dun artigo, anécdotas que circulan por Vigo ou Mondoñedo, alborozámonos cando saen á superficie editorial os pecios duns artigos publicados nun triste xornal de provincias, para sempre inmortal por ter en tinta a sinatura de Cunqueiro, soportamos con estoicismo ós historicistas e ós revisionistas que pescudan na vida persoal do autor para erguer monumentos á mexericada e á difamación. Sitúano entre os vencedores da Guerra do 36, acúsano de escapista e de neo-fabulista, chámanlle ao seu xénero ¿prosa poética¿, expresión que deita vitriolo sobre calquera escritor. Nós, os sectarios, aturamos todo isto con sorriso (ou non) estoico. Sabemos que nos esperan, como premio á nosa lealdade, manxares, viaxes e praceres. E sabedoría. En moitos lugares, ao mesmo tempo, abrimos os cofres en forma de libro, e comemos lamprea á bordelesa, imos a Siria co camiño de quita e pon e deixámonos adubiar con allo, prixel e aceite por Marina Marini. Somos como os sectarios daquel conto de Cortázar ¿Queremos tanto a Glenda¿ que por amoración á señora Jackson acopiaban os seus filmes e retiraban deles as secuencias que xulgaban que non estaban á divina altura da artista. Nós non somos tan calvinistas.

Quico Cadaval

posted by Sao Tomé 22:05

Todo o mundo de repente

Meu poeta eu hoje estou contente.
Sim, recevim carta, que me deixou abrumado com tanta beleça.
Para além, conversas interessantes com Belém, jantar com Íria que vai rejurdindo, estranhas manobras de celestinagem, calma e passeio e cervejas de verao, e a Senhorita Bloomfield que gostou do seu post.
E hoje escreve-me mais gente, e tenho visitas, e vou comer (de novo) cumha linda rapariga e temos cereijas na sobremesa. E todos os meus horóscopos coincidem possitivamente. E para a noite agarda festa.
Tenho sono sim, e preciso durmir muitas horas. Doem-me os olhos, e nem podo escrever muito. Ainda agarda a sesta, e tá bom.
Hoy dejadme a mi solo, ser feliz.
Falamos. Beijos.
posted by Sao Tomé 20:42

Quinta-feira, Junho 17

No Blogmilho

Reconheço-o. Ainda que bastante à margem, sem participar muito em comentários, nem me ter dado de alta em Blogaliza, nem ter especial interesse em acudir a encontros de blogueiros, acho que eu também som do clam.
E, evidentemente, nom me podo resistir à festa Agropop da sexta, nem a entrar cada manhá em TodoNada (entre outros) agardando polos novos comentários da Maria. E nom podo deixar de me emocionar ser testemunha deste primeiro parto que se retransmite via blog na Galiza, para esta estranha comunidade irmandada em muitos casos sem se conhecer... Estranho e fermoso. Parabéns.
posted by Sao Tomé 19:54

(Acotaçom XXXIV: Andorinhas 2)

< Saio da casa quase às dez da noite depois dumha tarde de ilhamento e sopor.
Subindo pola rua, escuito no alto os berros das andorinhas. Ainda nom me fixera consciente de como lhe ponhem música a estas datas.
Volta-me à cabeça "Se voaras mais ao perto", tema do dia.

(Andorinha de asa preta
Vai gritando em altos brados
Chega-te à minha janela
Livra-me destes cuidados...)

Ou, dito noutro jeito:

Vem,
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda....

Som cousas de distáncias, de andorinhas, de gana de te ver
e de dançar >
posted by Sao Tomé 18:47

Quarta-feira, Junho 16

Feliz Bloomsday, Mistress Bloomfield

Eu sabia que ela olhava sempre a sua caixa de correio (que ficava sem fechar) ao entrar para a casa.

Aquel dia, há já uns aninhos, Iris Bloomfield felicitou-me o Bloomsday. Já ia junho mediado (como nom), e ia calor, e a vida era ainda um bocado mais complicada do habitual. Ela florescia, é claro, como corresponde à época e à pessoa. Mas havia também umha certa tristeza nos olhos, um deixar-se nos gestos, um cansaço dos que achega este tempo.
Na tarde, ainda sem te-lo pensado, acompanhei-na um bocado, deixei-na no seu destino, tivem a ideia.
Numha hora corrim à papelaria, à floristaria, à casa. Arranjei as targetas, os sobres, a rosa, escrevim.
Corrim ao seu portal, deixei na caixa de correios o lote. Enviei-lhe um sms que dizia algo assim coma "Ánimo. Qualquer dia encontramos a ledízia na caixa dos correios".

Ela voltou e encontrou a rosa. Ao carom, numha targeta anónima, podia reconhecer a minha letra desejando-lhe feliz Bloomsday de parte do seu mais rendido admirador.
Numha outra targeta ao carom, desvelava a minha identidade, e dizia-lhe algo assim coma "Deveria ser umha dúzia de rosas, deveriam ser dum admirador mais ajeitado, vala isto polo de agora. Beijos".
Houvo resposta positiva. Nada grave.
Ficou a história coma umha pequena faisca na que nós nom fomos nós, e ela era Iris e era eu o seu mais rendido admirador. E nom foi mentira.
Voltamos depois ao nosso decorrer cotián, às nossas identidades, aos passeios juntos e a umhas distáncias mais comuns.

Gosto das estratagemas, dizia Amelie. Eu também gosto. E a menina Iris também gostou.
Feliz Bloomsday.

posted by Sao Tomé 20:25

Terça-feira, Junho 15

Um atlas novo

Descobro na casa de Tino e Bibi (esse armazém de tesouros) um livro bem curioso. Trata-se da ediçom espanhola do "Atlas of Experience", um auténtico Atlas cheio de mapas a toda cor dum mundo no que os lugares levam nomes coma Stress, Crescimento, Mudança, Marismas do Tédio ou Pinto e Valdemoro (que som, é claro, dúas vilas próximas, embora nom tenhem um Y no meio).

Levado do meu imenso amor polos mapas, especialmente polos daqueles lugares que nom existem (o que explicarei longamente noutra ocasom), colho emprestado o livro, e boto um bom anaco da tarde a olhar essas novas terras, as rotas que unem as vilas, o perfil das costas e os bosques, apondo-lhes, coma sempre, imagens próprias e imaginando o jeito das cidades, e das gentes, e do clima é como seria o tacto das areias nas costas do Mar das Possibilidades, e roupa de verao das mulheres polos passeios das cidades de Importo e de Exporto. (no entando, Kroke e Nigel Kennedy ajudam-me na fugida, que foi o día intenso).



(Nom podo deixar de assinalar cá que Íria, María e mais eu, temos feito (entre moitos outros desbarres coleitivos) também um lugar imaginário (com mapa, por suposto): A Terra Mediocre. Foi curioso comprovar como também neste Atlas aparecem os Cerros de Úbeda e Bábia. Só que no nosso caso, Bábia era umha cidade no meio dos Cerros, e o seu alcalde era, é claro, Pichote.)

Finalmente. No web do Atlas descobro que se podem personalizar os nomes de vários mapas. Contente por ter novas de Margarida, fago um mapa daquelas nossas escassas noites
e envío-lho com o título de "Noites do Norte" e toda a minha saudade.


posted by Sao Tomé 19:41

Segunda-feira, Junho 14

Às margens

Penso nestes dias, por diferentes motivos, em como tenho incorporado à minha vida algumhas relações que ficam à margem do meu mainstream social. Trata-se de lugares um bocado afastado do resto da gente, onde se fai repaso da vida dum jeito distinto, onde um se sente dalgum jeito um bocado mais um próprio. Ver-se de quando em vez, umha vez à semana, ao mes, quando quadra. E por-se ao día. E falar e escuitar, e deixar-se sabendo que ficam cousas e que haverá cousas novas para a próxima.

Ana
Por umha banda, está Ana. Tudo começou há tempo, com intermediários, com malentendidos (ou nom) que nos dérom para mantermos umha certa confiança mas sem abandonar as distáncias necessárias. Ao longo do último ano, depois de diferentes fasses lunares, veu-se-me convertendo numha presença fixa que se agradece. Com a conversa demorada sobre temas escasos. Com o silêncio. Com os dessacordos mínimos. Falamos a miúdo electronicamente. De quando em vez vemo-nos na realidade. Contamo-nos algumhas das cousas mais íntimas, das ralhaduras mais absurdas, sabendo-nos sem o direito de exigir contas nem de pedir explicações. Evitamo-nos em boa medida predefinir o outro sabendo como sabemos que tampouco nos conhecemos tanto. Somos benevolentes cos defeitos e as diferências, porque tampouco é que tenhamos umha relaçom tam intensa. Mas continuamos ai.

Carmela
Carmela chegou de surpresa, aínda há nada. Depois de nos ver tantas veces em casa de amigos comúns (ela sempre tam calada), coincidimos umha noite e falamos longamente no meio do alcol. Depois começárom as visitas, os intercámbios de material subversivo-cultural (esse tam imprescindível para sobreviver) a imensa surpresa por a descobrer quando fala. Agora achega-se de quando em quando a cear, e falamos e falamos até tarde. De novo, sabemo-nos sem o direito de exigir, sabemo-nos no mútuo respecto. Fazemo-nos os informes de rigor e aos poucos descobremo-nos detalhes novos. (Quando debuxa amosa umha concentraçom intensa na que se adivinha a loita contra nom sei muito bem quais pantasmas). Andamos por ai. Aínda em certa definiçom. Mas é gostoso.

Penso também como tenho muitas relações comúns com os seus próprios e estupendos espaços de intimidade. Martim, Belém, María, Iria. Rapo e Sérgio nos últimos tempos. Pero a maior parte destes rematamo-nos juntando dalgum jeito depois, temos intres comúns e espaços compartidos.
Acho que som só estas duas damas as que andam ultimamente um bocado à parte, coma tesouros segredos cos que fico. Obrigado ás dúas pola companha. Agardo que continuedes por acó. Beijos.

posted by Sao Tomé 22:39

Alarma social



Armade-vos de paciência visitantes. Aplicade as cremas protectoras contra as alterações de humor, as susceptibilidades, os enfados, as complicações em geral.
Será o calor. A questom é que estám a se multiplicar as roçaduras. Nom encontro na lua nem no vento (aínda que acho que é hoje que começa o temível Nordés) motivos metereopáticos para isto. Se acaso no revolto que está o mar (os barcos som os seus olhos, de quando em vez fecha-os. E, em determinado momento, El também, termina). E no calor.

O caso é que agradecia umha ledízia simple, um bocado de luz.
(Coma a que entra imensa pola fiestra na manhá do domingo, enquanto estamos a brincar na cama, coma nenos numha aperta, ledos por estarmos lá, sem dar nem tomar explicações de ningum tipo, e é lindo e ninguém comprenderá, e quê mais tem, cona, qué mais terá.)
Que nom me venham lixar a luz.
(Paciência.)
posted by Sao Tomé 19:07

Sexta-feira, Junho 11

Venho de longe



Meu Deus. Quê difícil foi erguer-se esta manhá. Corrim o serio e estranho perigo de ficar apegado as sabas (lenções) mais dos quinze minutos regulamentários.
Vinha de longe. O sonho començara cumha práia imensa, onda a Lançada, de água doce cum iate. Depois transformou-se numha imensa festa-receiçom oficial onde umha ministra-conselheira nom deixava de me pôr na mao cervejas da maior qualidade ao tempo que me perseguía discretamente polo lugar com intenções aparentemente pouco honrossas. Finalmente (a apoteose), umha entrevista a Camilo Sesto e a correspondente actuaçom (meu deus, meu deus, deveria limpar um bocado este subconsciente).

Finalmente consigo saír da cama e do sonho. É duro.
Venho comprobando desde há tempo que possuo umha vontade fóra do comum para saír da cama quando cómpre. Já podo ter durmido três horas, estar de ressaca, deixar alguém dentro... só umha ou dúas veces no ano supera-me a inconsciência (mesmo para isto tenho activos os meus mecanismos de hipercontrolo). Deveria conseguir umha disciplina semelhante para limpar a casa mais regularmente.
Finalmente almorço esforçando-me por esquecer o tema que cantaba Camilo no sonho. Consigo-o, asolagando no proceso a cozinha com zume de laranja graças, também ao abrefácil de Dom Simom.

(Louriano, que veu de visita fugaz, durme no salom no entanto. Deu-me permisso para contar a sua particular visom infantil da diglossia, de jeito que enquanto tenha um anaco, contarei essa fabulosa história, para solaz e aprendizagem de todos aos públicos.)

posted by Sao Tomé 19:11

Quinta-feira, Junho 10

Esperto longe

Ergo-me em cama quase alheia e sem embargo muito própria. Nom reconheço os ruídos (muitos e muito variados) que soam arredor. E sem embargo, esperto bem mais descansado do que nos últimos tempos, embora nom fossem tantas as horas.
Estou na casa familiar.
Encontro polos recantos pequenas sensaçons contra as que me tenho acoiraçado ao longo dos anos. Penso em vir acô e passar um par de dias simplesmente sentido-as, remexendo os velhos objectos, os cascarons que abandonei há já bem tempo, os posters e os livros, e as cousas que ficárom coma se realmente nom tivesse marchado quando tinha apenas dezaoito anos, coma se ainda houvesse em realidade ocasom de voltar a esses intres.
Sinto como há cousas pequenas que me rozam a pele, sinto os gumes, o poder que tenhem ainda de me ferir tantas lembranças dum eu que nom som, tantos problemas dos que me tenho distanciado, a sensaçom imensa e contida de que abandonei o barco quando ainda fazia (e fago) falha cá.
Polo de agora passo muito por riba delas. Evito-as. Nom me enfronto com essas pequenas tragédias que condicionárom tanto a minha vida durante anos.
E saio da casa, e vou dar umha volta, e volto (a estes lugares, a estas gentes, a estas sensaçons que mitigo)
coma um sonho acordado.
posted by Sao Tomé 18:37

Quarta-feira, Junho 9

(Acotaçom XXXIII: Andorinhas)



< Voam aceleradas, em círculos acrobáticos e elipses impossíveis. Descendem ao nivel da rúa, passam ao meu carom e remotam sem problema. Achegam-se á fiestra onda a que trabalho e semelha que vam dar contra ela. E de socato viram e fogem.
A primavera fai-se delas também. E nem sei até que ponto nom é essa dança frenética que nos acompanha polo céu a que nos vira a cabeça, nos fai erguer os olhos do chao, nos leva à conversa, aos problemas, aos beijos. >

posted by Sao Tomé 20:37

Eguer-se e Tréguas

De novo esperto com a sensaçom de deixar atrás uns quantos sonhos. Sei que, de novo, conversava com gente conhecida. Sei da sensaçom do licor café a baixar polo esófago. Sei dalgúns beixos e de me teres apertado no sofá. E poida que nom fosse tanto sonho afinal.

Leo, cum certo atraso, o Anxos de Garda desta semana. Fabuloso:
¿E é todo tan fermoso. De pronto sinto ganas de chorar. Penso en min, no meu cerebro ferido e sinto unha enorme tenrura e choro. Nunca antes sentira tanta tenrura por min, pola miña fraxilidade, polas miñas veas furadas, pola miña dor, pola miña forza, polas miñas ganas de vivir, polas miñas noites de insomnio, por amar e por gritar. Por min.
Cáenme as bágoas porque sei que só é unha tregua. Pero son tan feliz...¿

Para além de aledar-me por essa ledízia, devo agradecer-lhe a Anjos ser quem de explicar assim de bem as tréguas. E fazer-me pensar (ultimamente tudo me fai pensar, um bocado rápido de mais, um bocado por riba, mas muito) nelas.

Acho que há tempo que já me dei por vencido, e pensei que em geral só nos ficam pausas na conflagraçom da vida, ao jeito que tam bem nos contara o Benedetti.
Nos últimos tempos sinto-me sem embargo em tréguas discontínuas, em diferentes níveis de paz. (Me siento bien acompañado, me siento casi con respuestas). Há quem me bica, quem me escuita, quem me mima, quem me dá o toque, quem bebe comigo, quem me louva, quem me faz pensar, quem caminha ao meu carom.
Mentres, sem embargo, andam baixos outros indicadores, há luzes vermelhas de aviso, falta lubricante e rengem algumhas apertas ou, precisamente, a sua falha.
E em geral, a diferência doutros tempos, fago um balanço inconsciente. Nom me deixo levar polos problemas, nom me afundo.
Sinto e agradeço estas minhas tréguas.

posted by Sao Tomé 18:41

Papá Regueira (O Velho Mestre)

Assim ao parvo, quase choro lendo-lhe a entrevista en Diario de Pontevedra. (Impossível de ligar. Hemeroteca do 8/06 página 12, formato PDF (nom o ponhem sinjelo, nom).
Ramom Regueira, Catedrático de Filossofia, retira-se e deixa o ensino depois de tantos anos.
Foi el para mim esse professor que tantos tivemos, que se fixo mais mestre do que docente. Desde há muito som tremendamente consciente do importantes que forom os alicerces que me ofertou, de quanto de mim se formou a partir do aprendido com el.

El mesmo o di nessa entrevista: temos pais biológicos e temos pais biográficos. El foi um meu pai biográfico.
Dou-lhe imensas graças e fico obrigado com el como o estou com muito poucas pessoas. A ver se um día o encontro por aquela cidade, tomamos-lhe um café, ponhemo-nos um bocadinho ao día. A ver se um día começo a iniciativa popular para lhe erguer um monumento. Bem sei que nom haviam faltar apoios, que somos muitos os irmaos.

posted by Sao Tomé 18:34

Terça-feira, Junho 8

Acordo e mergulho



De novo os sonhos chamam por me manter apegada a cabeça a almofada, por deixar-me nessa emissóra que me achega estes dias contos estranhos.
Hoje é um manuscrito indescifrábel escondido entre um quadro. Um mapa antigo que desenham ante os meus olhos. O começo dumha trama que se vê interrompida polo acordador. Bem lhe vejo as fontes à história, mas nom deixa de cumprir a súa funçom de me dar um acordar mais agradável (embora também mais dificultoso).
Calor, exames, lua e imagino que as diferentes presões que ontem lhe reconhecia a Íria que existem e que levo bem (e é certo). Mas nom deixo de ter sono abondo, e pensamentos, e trabalho a esgalha, ultimamente.
Pergunto-me como será a vida depois dos exames. Nom me dá para pensar como podería ser sem esses meus problemas recorrentes dos útlimos tempos. Incorporados à vida coma os tenho, vam-se levando, navigando coma em mergulho.

Martim dá-me umha mínima soluçom: Enquanto remates, começa a estudar para setembro. Aínda há ser plam.

posted by Sao Tomé 20:08

Segunda-feira, Junho 7

Espertares

Esperto.
Ao me erguer deixo a metade da cabeça na almofada. Saio da cama com essa sensaçom de vir de longe.
Fago por reter os anacos dos sonhos. Retalhos de pequenas imagens que deixárom umha sensaçom agradável pero que nom querem me libertar:
Umha pequena história de aprendizagens. Umha vissita a umha leprosseria onde
relativizo os problemas da vida ao ver a capazidade de trabalho e o jeito em que o levam os enfermos. Encontros amáveis com gente amável. Cafés com a turma habitual. Tudo mesturado.

Afinal, quando consigo espertar um bocado mais e me encontro já em pleno almorço (sei que estou mais esperto porque esquecim mais anacos dos sonhos), sinto mais banais os meus problemas ou quase problemas.
Penso entom em quem me inspirou, sem dúvida, esse pequeno sonho sobre o levar com ánimo as piores cousas. Penso até que ponto terá a ver com as mudanças da minha vida (e no jeito de a levar) dos últimos doze meses. Que nom forom poucas.
O sono e a sensaçom nom me deixam.

Umhas horas depois atopo ao Jocas no Messenger e convido-o a jantar para quando saia do Clínico. Também (mas nom só) por esse pensamento.
Apertas companheiro.
Seguimos espertando.

posted by Sao Tomé 21:00

Sexta-feira, Junho 4

Filho dos 80



Enfronto-me mais umha vez à dura tarefa de mercar calçado. Preciso uns tenis.
Acho que desde que tinha treze anos nom voltei atopar um modelo de deportivas que me convecessem.
As modas forom passando e fazendo-as cada vez mais estrambóticas. E nisso, como em tantas outras cousas, fiquei ancorado num tempo velho. Para mim som de toda a vida brancas, e sinjelas. Com algum leve toque a baloncesto americano ou cousa semelhante.
A outra grande opçom eram as Converse ou similares, que forom a minha última escolha (momento nostálgico, para variar) há já dous anos e que actualmente estám a piques da desintegraçom.
Depois de deplorá-las durante muito tempo, este ano decidim dar o passo e mercar uns tenis escuros, nessas cores verdes ou grises que leva a gente nova por ai.
Passo arredor de meia hora a dar voltar por umha tenda com todo tipo de modelos, cores, talhas. Encontro umhas que me convencem. Nom há talha.

Seguiremos provando, tam aginha como me encontre zen de abondo.
posted by Sao Tomé 19:25

Mais luxos

Insisto: Tenho visitas de luxo na Ilha.
Leio hoje na imprensa que Olalha receve o prémio Avelina Valladares de poesia.
Reconheço que nem sei com quanta frequência se achega por estas praias, nos ultimos tempos vemo-nos apenas polas noites de Compostela, bem mais pouco do que gostaria, em estados nem sempre especialmente lúzidos...
E a condanada digera-me que practicamente deixara de escrever. Menos mal que era mentira.
Lembro de há anos, naqueloutras noites de juntanças poéticas, como gostava do jeito em que enovelava as palavras esta rapariga. Como conseguia enfiar pequenas obras feitos de terra e de pedra e das cousas mais dondas.

Menos mal que era mentira, e continua a enovelar...
Parabéns para ela, e para os leitores.
posted by Sao Tomé 18:40

Quinta-feira, Junho 3

Lua lua lua lua... (fame)



Quedou-me nas meninhas a lua que olhamos sair ontem desde a fiestra do meu quarto.
Meteu-se-me no sono, no calor, na inquedança.
Também nos beiços e na pele (por obra tua).

Ficou cá entom umha fame fonda que
(nom fará falha que o diga muito alto)
te inclue.

posted by Sao Tomé 19:33

Quarta-feira, Junho 2

TV again

Volto ter televisom. Meses depois de tomar a decissom, instalei a targeta correspondente no computador. Os primeiros dous dias som, como nom, de deceiçom pola qualidade da programaçom. Nos primeiros trinta minutos, que umha vaga de sensualidade invadia a casa através dos inesgotáveis anúncios. O verao chega também à pantalha, e explotam-se ao máximo os corpos e o desejo para nos vender o que for. Rapidamente a sensaçom passa (implica isso um rápido embrutecimento ao respeito?).



É certo que quase me afigera a viver sem ela. Mas também é certo que me encontrei nestes meses (já vai para um ano) desenvolvendo estranhas tácticas para passar o tempo em que a cabeça solicita entretimento estúpido. Depois de ter repassado completamente e várias vezes os números todos de 'El jueves' disponhíveis, de ter lido todo tipo de BDs, revistas e relatos curtos. De ter visto filmes maus em CD até o cansaço nas temporadas em que os tivem, pensei que era a TV umha táctica tam boa coma qualquer outra para descontrair estupidamente.
Encontro agora que nom tenho costume, que tenho que aprender de novo a vê-la.
Mau será, cos anos de aprendizagem que levo.

posted by Sao Tomé 20:42

Autojustificaçom VIII: Perda de povoaçom

Os problemas da gravidade em Trapobana provocam, soubem recentemente, umha perda de povoaçom na Ilha.
Algumhas das visitas mais queridas tenhem-se retirado destes lugares, agardo que nom definitivamente.
De novo os problemas da escrita e da vida, de como pessam as palavras escritas e como podem magoar. (Quiçais também falta falar mais fóra da Ilha.)
É Trapobana, já o tenho dito, umha caste de sumidoiro. Às vezes aparecem acô cousas que fóra nom se vem, às vezes aparecem mais claras, mais duras, mais equívocas também. Velaqui a consquências...

Penso na possibilidade de afastar da Ilha todo o que tenha a ver comigo e cos meus. Deixar apenas umha pequena colecçom de anédotas e de contos.
Enfronto-me em fim, mais umha vez à velha dicotomia entre a escrita e a vida. Se até o de agora a conclusom provisória era que mantinham umha relaçom proporcionalmente inversa (+ vida - escrita e ao contrário), este novo intento de síntese, metendo mais vida na escrita e mais escrita na vida amosa-me que a fenda é grande entre as duas.
Que quiçais seja melhor nom mesturar (é sabido que as resacas som maiores).
Também é certo que nom estou a disgosto com a experiência polo que a mim exclussivamente respecta. Quiçais o problema maior seja o facto de fazer públicas as cousas.
Coma tantas outras vezes, nom saber o que deve ficar no silêncio.
Quiçais creie umha segunda Trapobana, quiçais construa umha secreta Biblioteca do Conde de Waldstein na que armazene os escritos que ninguém verá.

posted by Sao Tomé 19:30

Terça-feira, Junho 1

Á Julieta, Julieta!

Reclamo Juliette Binoche.



Leio a história esta da lista das cen mulheres mais fermosas da história.
Pouco tenho que dizer à Audrey Hepburn, embora nom seja santa da minha especial devoçom reconheço-lhe o encanto (aprendim-lho por algumha antiga amiga, que fazia por se parecer a ela). Reconheço-lhe a sensualidade a Liv Tyler (embora pareça pouco interessante). Vejo pontos possitivos em muitas delas,
Pero nom comprendo em absoluto como pode estar relegada Juliette a um posto inferior, despois de Angelina Jolie(!).
Também aprendim a amá-la (embora fum bem mais autodidacta neste caso) através dalguém. Desta volta foi Maria, que comparte coa Juliette um riscos traçados com ponta fina, para além de beiços (e nom som o único a dizer). Comparto também co carlos a sensibilidade estrema a esta mulher.
E, embora o tempo nom passe em balde, continuo a reclamá-la.
Por muitos anos.
posted by Sao Tomé 19:13

Ai a vem (corolário)

Como se pode comprovar polo post anterior, a lua está já cá. E tivo-me ontem meio volado todo o tia com questões que em realidade nom dam para tanto. Em verdade foi um certo alívio encontrar no calendário umha mínima explicaçom para a ralhadura.
E nom foi mais do que um toque no ego. O habitual afundimento destes dias em que agromam as minhas inseguridades (já levavam tempo sem aparecer), falta de sono. Ausência.
Mas deu num post. E ai fica.
posted by Sao Tomé 18:32

Toques no ego (a rentes da Lua)



Eu também canto.
Nestes violins, na tua ausência, nos sentimentos estranhos entre os que morre um maio de maravilhas e reproches. (No entanto é preciso cantar).
Também canto, a saudade foi sempre minha, o prazer também de quando em quando.
Danço cumha pequena desesperaçom (viver valeu, amar valeu).
Danço estes sons que trouxo a vida, danço cum eu que a todos nos custa reconhecer, danço co medo e coa solidão que (por fortuna) nom apavoram.
Caminho com esperança, fica tudo perto.
No entanto, também canto, nom deixo de cantar.
(Ederlezi, Ajde Jano, Canto Nero, Jovano Jovanke, A Falsa Bahiana, Samba de umha nota só, O meu estranho amor, Sôdade...)
Chuvas de verão enfim, e a lua que chega.
(E a vida é bonita,
é bonita
é bonita)

posted by Sao Tomé 18:13

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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