Trapobana

Quinta-feira, Março 18

(Acotaçom XV: Ritos)
< Compostela, 8:30 a.m. dumha sexta. Ao passar ao carom da pequena fonte que está ao pé do Paço de Raxoi, dando-lhe ás costas à Catedral, descobro os restos já clássicos dum ritual mágico. Umha candeia vermelha meio consomer, umha botelha de Heineken baleira (possivelmente nom contivesse cerveja) e um cigarro puro depositado sobre umha caixa grande de mistos. Nom lembro exactamente a funçom desta magia, mas fiquei pensando em que possivelmente, deveria haber pétalas de flores na água. Encomendarei-me ao Maitre Carrefour, Senhor da Encruzilhadas, para que me volte um bocadinho de memória sobre a magia.
E à Dahomey para que bote umha mao nas noites.>

posted by Sao Tomé 20:09

Quarta-feira, Março 17

( Acotaçom XIV: Peirao )



< Nom sei por quê eu, que nom som de mar, acho de socato de menos (ao passar onda umha janela) estar nesta manhá de sol pequeno a passear num peirao coma o de Cangas, o de Laxe ou o de Ortigueira a sentir o cheiro do sal, das redes, das cousas que apodrecem. >

posted by Sao Tomé 20:55

Mirando o teito

Em geral, a definiçom é 'serenidade'. Consciente dos progressos, contente das conquistas, satisfeito de continuar assentando e avançando sem pausa. Ontem voltava a casa rendido (vita intensa) e pensei se nom tenho umha certa carência de explossões de ledízia, embora nom faltem motivos. Lembrei mais umha vez de 'Hombre que mira al techo'.
No entanto, continuo vivendo de olhadas, de encontros casuais, de começos e mais começos com novas mulheres, das ceias em companhia, dos versos e das tardes de sol. Nom tem mal.
(Nom há que lhe fazer. Continuo tendo sono. Esperto cedo de mais.)
E é qualquer día que floresço dum jeito mais selvagem do habitual.
(No hay mal que dure cien años)
posted by Sao Tomé 19:55

Terça-feira, Março 16

Reclaim the streets



Depois das mobilizações da semana passada, semelha que todo o mundo se tivesse posto de acordo para saìr à rua. Por sorte ou por desgraça, ontem já nom era cousa de protestar.
Umha fame geralizada de sol enchia as terraças dos bares. Ao caminhar sentia coma se estivesse a atravessar umha aranheira de olhadas que todo o mundo tirava a todo o mundo. E realmente há muito para olhar.
Falo com Jocas de mulheres. Belém informa-me via SMS de que está a trabalhar tomando o sol na horta. Atopo a Tino e a Bibi, a Berta e a Ángel, a Ruth, a Martim, Laura e Karen. Só cinco minutos.
A primavera, evidentemente, está a ao caer.

Penso até que ponto o meu mal durmir dos últimos tempos nom terá a ver com a minha sincronizaçom solar. Por muitos experimentos que faga com a roupa da cama, esperto inexoravelmente cara às seis e meia da manhá e o meu sono continua entom leve e insuficiente. Confio em que a mudança de hora e o seu tardio amencer me permita recuperar o meu reparador sono. Polo menos até que o sol volte colher umha hora temperá e volte também este espertar temperám.
Eu também som fusoreintegracionista, quero umha hora normal para o amencer.

posted by Sao Tomé 20:25

Segunda-feira, Março 15

A voto passado

Deixo cá a história de Rapo e os políticos entranháveis que ia postar antes de que tudo estoupasse.


< Se puidesse, havia votar Esquerra. Quando ganharam as eleições em Catalunha, davam-me bom rolhito. A esta altura, depois da cruzada contra Carod, votaria-os por foder.
Falando o outro dia com Rapo, amosava-se de acordo comigo. Coincidiamos em que o que tenhem os de Esquerra é que som entranháveis, e que a esta altura, ainda semelham mais entranháveis pola sua inocência.
- Se aparecem um fulanos que semelham naçarenos na tele insinuando que chegárom a um acordo com Esquerra e anunciando umha trégua, e sae pola outra banda um senhor entranhável e com bigode dizendo que nom chegou a acordo nengum com eles, a quem vou crer? A esses tios ou ao senhor entranhável? Ao senhor entranhável, por suposto!!! E a quem vou votar? Ao senhor entranhável, claro!!

Pero está visto que para as gerais nom poderei votar ao Carod, nem sequer ao Labordeta (entranhavel a mais nom poder).
A este passo, darei-lhe o meu voto à Fronte, que ainda que duros coma penedos, tenhem um ponto de entranhabilidade que nom sei de onde lhes sai. Quiçais seja porque lhe quero bem ao Dario. Quiçais seja por "O cervo na torre". Quiçais seja só porque o meu pai se parece levemente ao Ferrim. Na mala óstia, precisamente. >
posted by Sao Tomé 19:16

Alívio

Será cousa do Sinus aquel que deixou Íria abandonado no meu salom? Duvido-o, mas a questom é que desde ontem à noite respiro melhor. A verdade é que nom o cria. Tivem que chamar ao Sérgio e baixarmos onda a Manola, a nossa herrikotabernera particular. Embora no bar todos estivessem a ver o Celta, o tema de conversa era o que era, e a ledízia era a que era. "Semelha que marcham!", dixo Manola enquanto me viu entrar pola porta.
Houvo raçom dupla de tapa, e umha ronda de canhas para todos. (E nom foi pola derrota do Celta)
A sensaçom nom dá para mais que para o alívio polo de agora.
E, como cada vez que há que cantar algo de estar cabreado e de mandar alguém à merda com ledízia, vem-me à cabeça "Não Enche" (cançom preferida da Bruna), coma mais um

Mantra de teimossia
(Sai do meu sangue, sanguessuga, que só sabe sugar
Pirata, malandra
Me deixa gozar, me deixa gozar, me deixa gozar, me deixa gozar)
Começa uma outra história aqui na luz deste día D.

A ver como vai.

posted by Sao Tomé 18:50

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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