Trapobana

Sexta-feira, Fevereiro 27

Águaneve



Co naris levemente congestionada, o frio habitual, o sono já também habitual, o corpo que se dá a conhecer com estas dores pequenas e a incrível quantidade de gente com mágoas arredor, águaneve é a palavra que se quere impor para definir o dia.
Associada a ela, como nom, vem o licor café, como palavra contraposta com a que gostaria definir a noite.Conversa e um bico.
E fóra mágoas.
Como apreendim que diziam ao chinesses, naquel estupendo videojogo: "Só existe umha verdade no mundo: Isto, também, passará".
Ánimo para tod@s.
posted by Sao Tomé 21:09

Quinta-feira, Fevereiro 26

Meteropatia II: Nordés



Nos últimos tempos estou a me convencer de que, a efeitos de comportamento humano, afecta mais a força e a continuidade do vento do que a sua origem. Se até o de agora temía un vento do Sul, estas ultimas semanas de Norte e de Nordés estám-me a levar a ser precavido co vento em geral.
De qualquer jeito, os efeitos nocivos do Nordés som bem conhecidos no país, especialmente pola zona da Marinha, (bem o sabe o Luís).
Seja o que for, nota-se bem.
Anda a gente agressiva, deprimida, ralhada ou hipersensível. As conversas devenhem em discussões cumha especial facilidade, há ataques de ansiedade, acho de menos algumha rapariga nova com a que falar...
Mais umha vez vejo como continuo mais ou menos em bom estado, e como o que me altera som os problemas do meu arredor.
O frio fai melha, de todos os jeitos. Estou canso, durmo mal, o nariz pinga. O nosso corpo converte-se numha fonte de moléstias em geral, e dessaparece baixo as capas de roupa.
Estou canso.

E reconheço que sim tenho algumha tristura própria nos últimos días. Mais umha vez, perdas de fe, constataçom de que há distancias que medram, alegrias que pecham.
Nom. tem mal. Nem remédio.
É-che o meu próprio Nordés.

posted by Sao Tomé 19:57

Quarta-feira, Fevereiro 25

(Acotaçom IX: Sonho)

< Sonho que baixo pola rua das Hortas cum menino no colo. Nom terá mais de dous anos, e olha-me com muita curiossidade e bom humor. À direita nom há casas, senom um outeiro com vides e algum muro de pedra pequeno dos que gosto tanto. Está a ser pôr o sol detrás de tudo isso. Eu olho para essa paisagem achegada e digo-lhe ao pequeno: "Olha. Vês?, é o mundo. Bom, só um anaquinho, pero o total é também assim de fermoso. E mesmo mais. Pero muito mais grande". O rapaz olha-me e olha tudo aquilo.>
posted by Sao Tomé 20:42

Viagem II: Profanaçom de Ézaro
Olho com Belém esse auténtico fiordo onde estám ancoradas pequenas barcas. Vai sol. Um monte de pedra pura chega até o mesmo mar. É um dos lugares mais fermosos que tenho visto. Mas. É difícil de explicar.
O tubos violam o monte. Aerogeradores. Edifícios horríveis incrustam-se na pedra. Torres de alta tensom. Material de construcçom por toda a parte. Ruínas. Um encoro. Um cartaz oxidado advirte do perigo de cheias incontroladas. Busco o lugar onde, duas horas cada semana, desemboca o rio Jalhas numha fervença, caso único em Europa. É difícil de localizar, só há um fio de água. (Fraga inaugurou essa fervença que agora nom está.)
Subimos ao mirador. Umha depuradora de augas acompanha o som dos generadores, da electricidade polos cabos, das turbinas.
Enfronte, o incrível monte Pindo. Detrás as aspas dum dos muinhos de vento gigantes (mire vuesa merced, que no son molinos, que son gigantes) ameaçam-nos por tras dum cúmio. Semelha que o monte nos dá as costas e pola outra banda tem aparafussada umha hélice. Abaixo, um bulldozer trabalha dentro do velho edifício da central. Umha zona de guerra.
Enfronte o Pindo. Um lugar no que é difícil pensar na presença do homem.
Semelha que se tivessem esforçado por deixar clara o pior da nossa presença todo arredor.
Descobro mais umha vez que som sensível à beleça magoada dos lugares. Que som quem do assombro e da indignaçom.

posted by Sao Tomé 19:34

Terça-feira, Fevereiro 24

Muita Íria
Quando lhe digo a Íria que também aparece no post sobre o Entroido, queixa-se agradescida. ¿Semelha mais o meu blog que o teu, vai parecer que estamos liados ou algo assim¿.
Pensei que nom saia tanto, devo reconhecê-lo. De facto quando botei a andar isto preocupava-me mais a possível saturaçom de Maria nos posts.
Quê lhe imos fazer, semelha que polo de agora tocou-lhe mais a Íria levar texto. Em boa medida pola primavera e semelhantes. Em boa medida porque nos últimos tempos nom vejo tanto a Maria.
De qualquer jeito, advirto aos leitores que é melhor que se vaiam afazendo a estas duas. Polo de agora som as que em geral mais me ajudam, consciente ou inconscientemente, a ponher os óculos de Trapobana para ver a vida. As que me traem ou me contam ou construem comigo anacos pequenos coma os que ficam nesta ilha.

Mulheres e metro
Ao abeiro disto, penso também na abundáncia de mulheres que tenho em Trapobana. Mas nom podia ser doutro jeito. Há já anos que de quando em quando me surprendo (num bar, tomando o sol, numha excursom) na companha exclussiva de amigas. Tam afeito estou que nom adoito reparar em que som a miudo o único homem da juntança.
Também é cousa de ter longe desde há tempo alguns bons amigos velhos. De ter perdido algum contacto masculino. De ser menos de Trapobana a relaçom com muitos deles (e sem embargo tam necessária).
Ultimamente já me estivem a perguntar (está na moda) se nom estarei a virar metrossexual, sobretudo desde que me deu por mercar roupa coma umha pessoa normal e nom andar feito um Cristo (algum dia descubrirei por quê).
Quando jorde a pergunta olho a minha barriga. As peluxas que organizam carrreiras e manifestações pola casa. O meu escasso interesse nas tendências.
E rio um bocado. Nom tenho perigo.

posted by Sao Tomé 20:23

Segunda-feira, Fevereiro 23

(Acotaçom VIII: Estaçom)
< Domingo na estaçom de trem de Ponte Vedra. Marcha o dia, estou canso e levo gafas. Tardo entom em reconhecer à rapaza com eterna cara de pequena tristura que está quase ao meu carom. É F. Conheci-na brevemente num pub há já dez dias.
Iniciamos conversa mentres agardamos. Amável e acolhedora lembra, como nom, anacos de anteriores encontros que eu nom som quem de lembrar.
Exprimimos os dous ou três tópicos possíveis. Ocupações, origens, anécdotas comuns.
A conversa enfia bem, pero chega o comboio e subimos em diferentes vagões, eu de volta com os meus companheiros de viagem.
Fico com curiossidade por como irá a parola a vindeira vez que coincidamos, que será já a quarta.
Até o de agora acho que nom superamos os quince minutos de debate em ningum intre.
De qualquer jeito fico pensando.
Nom estou afeito a lembrar gente que conheço pola noite.
Nem a que me lembrem.
Nem a que continue o contacto para além do saudo.
Curioso.
Pergunto-me polo mistério que se agocha detrás desse olhar triste.>

posted by Sao Tomé 21:43

Limpador de cheminés



Finalmente houvo disfarce. Sábado noite, pessia a todas as complicações que adquiriu a vida ultimamente, fum Dick Van Dyke no seu papel de limpador de cheminés de Mary Poppins. Ao meu carom, Íria fazia umha Mary Poppins estupenda, tam linda que dava ganha de nom a conhecer para tentar namorá-la. Onda nós, Tino era a nuvem da que baixa Mary ao começo do filme. Umha récua bem curiosa.
A noite foi breve, de qualquer jeito. Nom se pode andar a todo todos os dias. Em havendo saude, repetiremos o show, a ver se desta volta com letras e coreografias já aprendidas...

posted by Sao Tomé 20:17

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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