Trapobana

Quinta-feira, Abril 21

Mudei-me, nom sei se definitivamente, para

http://trapobana.blogsome.com

por problemas de ediçom no blogger.
Seguiremos informando.
posted by São Tomé 23:18

Nom se admite do:

Quarta-feira, Abril 6

Materialismos (Desde o armazém)



Eu recolhia os jornais velhos, olhava os calendários acumulados, imaginava a quotidianidade da gente que vivira naquela casa abandonada. O que seria erguer-se daquela cama ainda a meio desfacer, ponher algum dos sapatos que estavam ainda debaixo, olhar o dia contra o encoro ou antes daquel mar.
Como se juntariam na cozinha imensa nos días de festa, quanto tempo durmiría o filho na cama pequena do fundo antes de tirar o bacharelato em Compostela, com qué sensaçom gardariam aqueles dous jornais ou os livos da escola.

Mentres, tu lias as cartas mais antigas nas que aquelas pessoas já mortas se comprometiam, pediam, solicitavam recado, se contavam essas mesmas vidas que eu fazia por adivinhar.

A mim, curiosamente, dava-me a impresom de que a singularidade dessas gentes, as possibilidade de as imaginar, ficara nos objectos, que todas as cartas dos anos cincuenta contam as mesmas historias.

Une-nos esse gosto por penetrar furtivamente lugares outrora habitados e conhecer desse jeito indirecto vidas que, afinal, nem nos vam nem nos venhem. Serám sedes de histórias, buscas da companha de pantasmas, que nom pedem cousa nem dam problemas. Amizades que nom é que nom as haja.

posted by São Tomé 00:25

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Será que isso me influi (Desde o armazém)



Caetano a martelar a cabeça desde o momento em que me ergo (e se ela evolui será que isso que inclui?). Causa desconhecida. Vam nascendo na rua já nas últimas semanas fiestras abertas a deitar música fóra (mais um síntoma de primavera) e eu sumo a epidemia e tiro o po com o que o inverno cobrira Caetano, Cesária, Marisa.
Chegam ainda chamadas novas desde silêncios de meses, encontros de novo logo de semanas. Move-se o mundo, um bocado refrigerado na chuva, e continuo a buscar ainda algum oco lene no que me atrincherar para quando aperte o sol e o sangue. Gatas extraordinarias.

posted by São Tomé 00:21

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(Desde o armazém)

Ergo-me
e ainda no meio dum sonho
ponho na tua homenagem as pantuflas disparelhas,
lembrança de intres de Cebras Camilas
e dumha certa maior levidade no tempo.

Nalgum dos dessequilíbrios
decato-me como de novo
caminho em dous pés esquerdos
coma num clima de ser mais pequeno
por cousa de nom estares para me corrigir o calçado

Fica em fim umha certa orfandade na casa
nas trincheiras polas que me movo entre os restos
dumha vida a priori nom intensa de mais.

Ficam mais dúas sapatilhas disparelhas
a agardar polo agarimo
aquel do espido dos teus pés.

posted by São Tomé 00:17

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É possível?

Vejo logo de todo este tempo a consola do blogger. Podo editar Trapobana. E será certo?
posted by São Tomé 00:15

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Segunda-feira, Março 21

Na poça

É já chover, chover, chover. Sentir enfriar a pedra, ulir a cópula imensa do chao a se assolagar, ver por fim as fochancas se encher de água de verdade a conta dos regatos novos sempre em curso alto que baixam polos passeios. Chover, chover, chover até que se pode começar a pensar que nunha houvo chao enjoito nengum. E deixar-se no ritmo a sentir que é nessas mesmas vibrações que abaneam um par de pedras que temos no cérebro e que estavam já a morrer sem verdim por riba, sem se lubricar na humidade do ar em contínuo movimento, do céu a caer. Deixamo-nos molhar ao descoido, a ver se nos tiram o pó este da pele e do olhar, deixamo-nos refrescar, e ogalhá nom pare uns dias e poidamos ainda ficar na casa, condicionados polo clima, a sentir segundos que caem da outra banda da fiestra.
Ou ir tomar-lhe umha e pisar a consciências as poças.
posted by São Tomé 02:32

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Sexta-feira, Março 18

SMS Chat

Por uns dias, casualidade, casualidade, casualidade, a nossa comunicaçom fica restringida às breves mensagens do telemóvel. No espaço entre os pequenos caracteres ffica a promessa do muito que nos imos contar e umha gana de nos ver que medra no silêncio, forçando a separaçom entre as letras, inflando o interlinhado, combando o ecrám com o seu crescente volume.
posted by São Tomé 01:11

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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